TRIBO FORTE #174 – ALZHEIMER’S, NOMENCLATURA VEGANA E LOW CARB

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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Neste Podcast:

  • Neste episódio vamos ver uma dieta que pode melhorar a performance cognitiva de quem está mostrando sinais de alzheimer’s;
  • Projeto na UE sobre nomenclatura vegana;
  • Novo estudo mostrando benefícios de low carb mesmo quando não há perda de peso;

Escute e passe adiante!!

Saúde é importante!

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Caso de Sucesso do Dia

Referências

Artigo sobre Alzheimer’s

A Queda de Braço Entre União Européia e Veganos

Novo Ensaio Clínico Randomizado Sobre os Benefícios da Low Carb

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá! Bom dia para você! Pegue o seu cafezinho, eu estou com o meu já com certeza, porque você agora vai começar a escutar o episódio número 174 aqui do podcast oficial da Tribo Forte. Eu sou o Rodrigo Polesso e semanalmente nós estamos aqui para tentar te ajudar com o que a gente pode, tudo baseado em evidência. Hoje, pessoal, nesse episódio, nós vamos ver uma dieta que pode melhorar a performance cognitiva de quem está mostrando sinais de Alzheimer. É coisa séria. Vamos falar também de um projeto de lei muito bom, porém um tanto engraçado, na União Europeia, se tratando de nomenclatura de produtos veganos. E, por fim, nós também vamos falar de um novo estudo bem legal mostrando os benefícios de low carb mesmo quando não há perda de peso. Isso é bastante interessante. Dr. Souto, como está por aí? Bem-vindo ao episódio 174.

Dr. Souto: Tudo certo, Rodrigo! Boa tarde! Boa tarde aos ouvintes!

Rodrigo Polesso: É isso, pessoal! Vamos começar com um assunto sério aqui, que é Alzheimer, demência, são problemas cognitivos que supostamente vêm com a idade. A gente está perigosamente acostumado com a ideia de que problemas cognitivos são normais com a idade. A gente tem observado que esses problemas estão sim cada vez mais comuns com a idade, mas se a gente olhar os nossos ancestrais e olhar um pouco para trás, a gente vê que eles de forma alguma são normais. Um pequeno ensaio clínico randomizado recém-publicado no Jornal da Doença de Alzheimer comparou os efeitos da dieta tradicional para envelhecimento sugerida para essas pessoas, com uma dieta Atkins modificada, no quesito de melhora cognitiva. O estudo foi bem pequeno, bem pequenininho e a aderência dele foi meio ruim no geral. Mas mesmo assim eles mostraram uma melhora cognitiva estatisticamente significante nas pessoas que conseguiram seguir essa dieta modificada Atkins e ser um pouco mais cetogênica, low carb, sem a menor dúvida. A conclusão desse estudo foi a seguinte: apesar dos desafios para implementar esse estudo que resultou em uma pequena amostragem, os nossos dados preliminares sugerem que a geração de até pequenos níveis de corpos cetônicos nessas pessoas pode melhorar a memória e também a sensação de vitalidade reportada pelos pacientes com estágio inicial de Alzheimer. Bom, enquanto esse estudo não serve muito como base para se concluir muita coisa nesse assunto, vale lembrar também que ele não é o únivco nesse sentido e que fisiologicamente falando faria sentido que funcionasse, que uma dieta mais baixa em carboidratos, mais alta em gorduras boas ajudaria pessoas assim. Doenças como a gente tem visto, dr. Souto, como Alzheimer, como demência e outras coisas, como sendo caracterizadas em grande parte, talvez, por problemas do metabolismo de energia no cérebro. E como a gente sabe… se o pessoal que está ouvindo não sabe ainda sobre a questão da glicose, dos corpos cetônicos… Os corpos cetônicos conseguem ultrapassar a barreira do cérebro e conseguem alimentar o cérebro diretamente como energia. E pessoas que têm Alzheimers, ainda mais por Alzheimer estar sendo chamado de diabetes tipo 3, então é um problema de metabolismo, de glicose. O cérebro começa a ter problemas em acessar energia de glicose e por isso que muitas pessoas obtêm resultados ao suplementar com corpos cetônicos ou modificar a dieta para incluir mais gorduras e menos carboidratos e regularizar um pouco essa situação. Então, esse estudo é bem pequeno, não tem tanta significância assim, eu diria. Mas eu acho que não é a primeira coisa, não é a primeira evidência que tem a esse respeito, Dr. Souto. E é uma coisa que pode ser bastante motivadora, eu acho, para as pessoas que estão sofrendo com esse mal, não é?

Dr. Souto: Exatamente! Eu vou pontuar algumas coisas que você já falou. Primeiro, ele não é o único estudo nesse sentido. Não existem grandes estudos, mas tem vários e são estudos de intervenção, não são estudos observacionais. São experimentos em que a gente introduz essa variável da mudança da dieta para uma dieta com menos carboidratos, uma dieta cetogênica e aí a função cognitiva é medida e ela melhora. Como você bem disse, não é de se espantar, porque faz sentido do ponto de vista do mecanismo. Eu sei que mecanismo por si só não justifica, mas agora nós já temos estudos mostrando a melhora, ou seja, o desfecho concreto e temos um mecanismo que explica. Bom, aí a coisa fica mais robusta. Qual é o mecanismo? O cérebro das pessoas que têm Alzheimer tem efetivamente (isso não é uma hipótese, isso é um fato) uma dificuldade de utilizar a glicose como fonte de energia. Tanto é verdade que o PET, um dos estudos que é utilizado para fazer o diagnóstico do Alzheimer, ele justamente vai mostrar uma diminuição na captação de glicose em algumas áreas do cérebro que é característica dessa doença. Bom, aí nós damos para esse cérebro um combustível alternativo que nós sabemos que ele pode usar. Então, para aqueles de vocês que provavelmente são todos vocês, que ouviram um dia falar que o cérebro depende exclusivamente de glicose como fonte de energia, na realidade quando a gente faz um jejum prolongado ou uma dieta cetogênica, p cérebro chega a utilizar 75% da sua energia na forma de corpos cetônicos. Rodrigo, sabe por que não é 100%? Isso eu aprendi não faz muito tempo.

Rodrigo Polesso: Por quê?

Dr. Souto: Porque se vocês lembrarem lá do ensino secundário, o desenho do neurônio lá no livro tem o corpo celular e tem uma perninha bem comprida que é o axônio. Aquela perninha bem comprida que é o axônio é tão fina que não cabem mitocôndrias ali dentro.

Rodrigo Polesso: Ah! Por isso não consegue metabolizar!

Dr. Souto: Exatamente! O axônio depende de glicólise, enquanto que o corpo celular pode utilizar tanto glicose quanto corpos cetônicos como fonte de energia porque têm mitocôndrias.

Rodrigo Polesso: Não sabia dessa!

Dr. Souto: É só por esse detalhe. Então por isso que sim, o cérebro precisa de glicose, mas é uma dependência parcial, porque é só os axônios que precisam. As células da glia não precisam de glicose, aliás, elas podem usar lactato e outros substratos. E os corpos celulares dos neurônios e os neurônios que não têm axônios longos podem depender plenamente de corpos cetônicos. Então, só para a gente corrigir coisas que dizem por aí. Uma coisa muito linda de ver é que essa nova diretriz 2019 da Associação Americana do Diabetes sobre tratamento nutricional do diabetes deixa bem claro que está superada a ideia de que eu não posso ter menos do que 130 gramas de glicose na dieta, porque é o que o cérebro usa. Eles deixam bem claro que o corpo fabrica a própria glicose pela gliconeogênese e que na realidade, está escrito ipsis litteris lá na ADA: não se sabe qual é a quantidade de carboidrato necessária para viver com saúde. Eu diria que a gente até sabe e é próxima de zero.

Rodrigo Polesso: Nós estaríamos todos mortos se tivesse que comer…

Dr. Souto: Um outro detalhe que não deixa de ser irônico é que depois de todos esses anos, com todas essas pessoas afirmando que low carb é uma estratégia perigosa por que o cérebro precisa de glicose, nós temos agora estudos mostrando que uma dieta sem glicose é boa justamente para o cérebro.

Rodrigo Polesso: Pois é. Incrível, né? Que mudança de paradigma.

Dr. Souto: Então, é assim: existe o não estamos bem certos e existe o estamos completamente errados.

Rodrigo Polesso: Completamente errados! Tão errados quanto possível!

Dr. Souto: É isso aí.

Rodrigo Polesso: E outra, não é só a questão da glicose. Quando a gente fala em problema raiz, todos esses problemas… O Alzheimer é só mais um deles que está assustadoramente comum hoje em dia. A gente vê na base, a raiz disso tudo como sendo a resistência à insulina e outras questões como inflamação no corpo. O que é isso, pessoal? Na minha opinião são óleos vegetais, refinados, açúcar, tudo junto e também falta de colesterol por causa desse medo. O cérebro é feito de colesterol, a gente precisa disso para gerar hormônios, para gerar integridade para nossas células. Então, as pessoas estão indo totalmente como você falou na direção mais errada possível. Por isso que esses problemas todos tendem a crescer juntos, em paralelo, todos esses problemas que estão relacionados com a síndrome metabólica.

Dr. Souto: Eu me lembro de um estudo do Gerald Reaven, que é o cara que, vamos dizer, é o pai da síndrome metabólica, ele chamou de síndrome x e depois virou síndrome metabólica. E o dr. Reaven fez um estudo há muitos anos atrás, no qual ele pegou 200 e poucas pessoas, mediu o grau de resistência à insulina delas e ele mediu isso em laboratório com o padrão-ouro, que significa pegar uma veia e botar glicose pingando, pegar outra veia e bota insulina pingando e vê quanta insulina precisa para manter a glicose estável. É um teste complexo que só se faz em estudos clínicos, mas ele é o padrão-ouro para medir a resistência à insulina. Aí ele fez esse teste e ele classificou as pessoas em sensíveis à insulina, parcialmente resistentes à insulina ou resistentes à insulina e acompanhou essas pessoas… Eu não quero dizer errado, eu acho que por uma média de 6 anos, alguns foram acompanhados por até 11 anos. E aí o grupo que era sensível à insulina, ninguém desenvolveu nada das doenças… Então assim, não foi que houve uma incidência menor, no período da observação os que eram sensíveis à insulina simplesmente ninguém desenvolveu nada. E o grupo que era mais resistente à insulina foi um desastre. Deu diabetes tipo 2, hipertensão, câncer, síndrome metabólica, doença cardiovascular. Então assim, ele é realmente um fator altamente preditivo para todas essas doenças crônicas e degenerativas que a gente chama de doenças da civilização. Então, vocês veem que a gente dá volta, dá volta e chega na mesma coisa.

Rodrigo Polesso: Na mesma coisa, é verdade. Bom, enquanto isso está se movendo na direção certa, isso que a gente está falando está se movendo em uma direção promissora, tem coisas que não estão, como por exemplo o estado nutricional da humanidade. Eu não sei se você viu ou eu falei, mas para o pessoal que não está antenado ainda, em breve vai vir mais uma onda, pessoal, mais um tsunami vegano. Só para avisar vocês que vai vir um documentário muito bem produzido que vai incluir pessoas como o Arnold Schwarzenegger, que nunca foi vegano na vida dele, só é agora depois de velho. O Lewis Hamilton, da Fórmula 1, que é extremamente famoso. E vai ser dirigido por ninguém menos que o James Cameron. Então, vai ser um negócio bombástico. Super produção e vai vir com a ideia de trazer, de mostrar como é que atletas conseguem incríveis feitos tendo uma dieta baseada em plantas, mesmo que a maioria dos atletas mostrados lá ou estão machucados e forma de forma já, ou não estão mais na ativa. Mas, enfim, a gente vai poder, quando sair, assistir e aí com certeza criticar.

Dr. Souto: Ou, né, Rodrigo, são pessoas geneticamente abençoadas e que suplementam pesado.

Rodrigo Polesso: Ah, isso com certeza! Acho que todo atleta de elite, mesmo que a gente não saiba, e a gente até tem evidência corroborativa disso, utiliza de coisas não tão naturais assim para aumentar a performance deles. E você falou muito bem, se eles dessem bem comendo batata o dia inteiro, imagina comendo steak? Mas enfim, vai vir isso aí tudo, pessoal. E são pessoas famosas e muita gente vai dizer: Ah, tá, então você que está certo, Arnold Schwazenegger está errado? Mas, enfim, vai sair. Então se preparem. Quando sair, se a gente tiver paciência vai assistir. É muito difícil assistir esse tipo de coisa. Mas, para o bem da informação, tentar assistir e trazer atenção aos fatos, tentar mostrar o que é essa agenda de fato.

Dr. Souto: Se eu tiver tempo e, principalmente, paciência, eu vou fazer uma postagem preemptiva no meu blog já dizendo assim: o que eu sei que vai ter nesse documentário, o que eu sei que vai ser colocado e explicando as falácias que vão estar ali. Mas, na verdade, obviamente nós somos um Davi bem pequenininho, mas bem pequenininho, tentando jogar uma pedrinha num Golias muito grande. Então, eu vejo o seguinte: um cenário negro para a humanidade. A gente já falou isso aqui outras vezes, mas cada vez mais eu vejo isso. E eu vejo assim, o podcast, a Tribo Forte é uma vela na escuridão. Vocês podem optar, ter o privilégio de estar aqui nessa pequena luz que a gente como grupo, nós todos, vocês que estão nos ouvindo, a Tribo Forte como um todo, essas velinhas, mas que nós estamos no meio de uma grande escuridão, sim. Eu acho que a gente está tendo um “privilégio” de assistir ao vivo algo equivalente com o que foi a introdução do low fat lá nos anos 60 e 70. A coisa vem com o apoio de grandes instituições, a Escola de Saúde Pública de Harvard basicamente se dedica a semana sim e semana também lançar um estudo observacional falando mal da carne, falando mal dos ovos e falando bem de plant based. Hollywood e Silicon Valley embarcaram nessa, po que significa basicamente que se fosse na Idade Média, vamos dizer, o Vaticano abraçou uma ideia. Então assim, nos dias de hoje o Vale do Silício e Hollywood abraçaram uma ideia. Bom, significa que nos próximos 40 anos esse será o paradigma. Eu estou agora naquela situação… em modo sobrevivência antecipado.

Rodrigo Polesso: Certo, certo. É, você falou bem, nós somos velas de luz no meio dessa escuridão. Inclusive, nós vamos estar velando a saúde de muita gente que abraçar essa causa. Enfim, olha só, saiu uma notícia interessante. Falei interessante, engraçada e mais útil, na verdade. No G1, que foi repercutida da BBC. O título é: A queda de braço entre a União Europeia e veganos sobre como chamar as imitações de carne. Olha em que mundo nós vivemos, pessoal! Vou ler literalmente o que está escrito no artigo aqui, parte dele. “Palavras como “salsicha” e “hambúrguer” só devem ser usadas para descrever alimentos que contenham carne? Sob a ótica de uma proposta da União Europeia apresentada em abril, a resposta é sim – o Reino Unido marcou uma audiência sobre o tema para quarta-feira, 26 de junho, na Câmara dos Lordes, em Londres. Na ocasião, ativistas e especialistas devam levantar objeções ao plano. Ativistas vegetarianos e veganos dizem que, se a proposta se tornar lei em setembro, os produtores de alimentos teriam de adotar nomes de produtos alternativos bem desagradáveis, como “tubos de vegetais” ou “discos de vegetais” para se referir a salsichas ou hambúrgueres, por exemplo. Eles dizem que isso faria perder consumidores em um momento de alta do interesse global pela redução no consumo de carne. Mas, de acordo com David Lindars, diretor de operações técnicas da Associação Britânica de Processadores de Carnes (BPMA, por sua sigla em inglês), a lei traria muita clareza. ‘Termos como salsicha, bife, hambúrguer e escalope são sinônimos de carne e isso deve ficar claro no rótulo.’ A proposta – conhecida como Alteração 41 – foi apresentada pelo Comitê de Agricultura do Parlamento Europeu como parte de um projeto de lei mais amplo para atualizar a Política Agrícola Comum do bloco. Os deputados que o apoiam dizem que a medida contempla o ‘bom senso’ e evita confusões. Eles também dizem que a intenção do projeto é estender as proteções já existentes para laticínios, após a Corte Europeia de Justiça proibir a venda de leite de soja como ‘leite’ em 2017. O produto agora deve ser rotulado como ‘bebida de soja’.” Então, por que não chamar esses alimentos do que eles são de verdade? Disco de vegetais poderia substituir vegetais por porcarias, porque não é só vegetal que vai lá dentro ou tubo de porcaria também. Que é o tubo que é a salsicha que o pessoal acha que é salsicha. Eu acho que é uma coisa que está se movendo na direção certa, dr. Souto. Para tentar não enganar nem os veganos, nem o resto da população.

Dr. Souto: É, mas vamos ver quem tem mais força nessa queda de braço, se é a minha visão pessimista estiver certa, eu acho que vai acabar… Temos que ver o que aconteceu nessa audiência. Mas acho que vai predominar a ideia de poder usar o nome nas comidas fake.

Rodrigo Polesso: Provavelmente.

Dr. Souto: Porque o interesse econômico é gigantesco, é muito grande. E isso me lembrou uma notícia que eu botei aqui na tela do meu computador, que é assim: Representante da indústria, no caso a indústria alimentícia brasileira, fala em alterar sabe o que? O guia alimentar brasileiro. Porque eles acham que é muito prejudicial essa história de usar termos como processados e ultraprocessados para definir itens alimentícios que estão associados ao desenvolvimento de doenças e morte, como vêm mostrando uma série de estudos científicos.

Rodrigo Polesso: Nossa!

Dr. Souto: “O guia em si tem muita coisa boa, mas exclusivamente o capítulo que fala da escolha dos alimentos passa longe da ciência e da tecnologia. E, aí, nós precisamos nos comunicar melhor com o nosso consumidor, com os nossos entes governamentais, inclusive, para tentar mudar essa ideia”, afirmou Dornellas.” que é o representante.

Rodrigo Polesso: Esse é aquele fundador do beyond meat da vida? Da carne do futuro?

Dr. Souto: Todo esse pessoal tem esse mesmo interesse. Porque é fascinante isso, o mundo da nutrição tinha abraçado com certo entusiasmo essa classificação chamada NOVA, que é uma classificação do dr. Monteiro aqui do Brasil. Que ao invés de ficar falando se os alimentos são ricos em carboidratos ou ricos em gordura, se eles são processados, ultraprocessados ou se eles são naturais e minimamente processados. Então, o mundo da nutrição tinha achado isso ótimo, só que agora eles se deram conta que o que eles estão propondo são alimentos ultraprocessados, que é hambúrguer fake, salsicha fake. Só que agora hambúrguer fake e salsicha fake tem que ser bom, porque é vegetal. Então, agora tem que atacar a ideia de que o ultraprocessado é ruim. A ideologia ele muda a forma como você vê tudo. É a história do TMAO. O TMAO é ruim quando está na carne, mas se o TMAO está na planta é bom.

Rodrigo Polesso: Aí é TBOM.

Dr. Souto: Alimento ultraprocessado é ruim, mas se o alimento ultraprocessado for uma forma de não comer carne, alimento ultraprocessado não só é bom, como nós temos que derrubar esse guia alimentar.

Rodrigo Polesso: Que loucura, né? Que direção nós estamos indo nessa vida. Pelo amor de Deus! E agora a gente vai falar sobre mais uma evidência bastante legal aqui. Sobre como a mudança da qualidade da alimentação impacta na melhora da saúde independente do peso, o que é interessante. Mas antes disso, quero parabenizar a Isabelle de Campos. Olha só que mudança bacana. Ela falou: “Termino hoje os 30 dias do Desafio. Eu perdi 7 kg. A minha mãe perdeu 4,7 kg e meu namorado perdeu 14,3 kg. Estamos firmes e fortes rumo à fase 2. E confiantes que finalmente achamos a solução e já estamos usufruindo da disposição, melhora no humor e todos os benefícios da alimentação forte.” Que maravilha! Eu gosto de destacar esses casos em que uma pessoa da família meio que se influencia positivamente pelo que a gente está falando aqui e acaba trazendo outros membros da família para obterem resultados também e todos obtém resultados e melhoram em conjunto. Então, eu quero agradecer a ela por ter enviado. Apenas 30 dias seguindo o Programa Código Emagrecer de Vez. Para quem acompanha a gente já sabe, é só você entrar em CódigoEmagrecerDeVez.com.br se quiser emagrecer segundo o que a ciência diz ser eficaz para isso. Então, parabéns!

Dr. Souto: Sensacional!

Rodrigo Polesso: Então é o seguinte: um ótimo novo ensaio clínico randomizado recém-publicado, conduzido para tentar mostrar se os benefícios de uma dieta baixa em carboidrato vão além da questão da perda de peso. Porque muita gente fala: “Ah, tá, baixo carboidrato, low carb, você melhora a saúde, melhora marcadores metabólicos, mas é porque você perdeu peso.” Então, para tentar provar que não é por causa disso a turma do Jeff Volek fez esse estudo. Eles alimentaram um grupo de pessoas obesas com síndrome metabólica… Um grupo de pessoas com síndrome metabólica foi alimentado com três dietas diferentes isocalóricas, com valor calórico igual durante 4 semanas. Uma dieta foi alta em carboidrato, a outra média e por fim uma baixa. Eles queriam alimentar as pessoas com calorias suficientes para que elas não perdessem peso e qualquer diferença que aconteceria seria de acordo com a mudança nos carboidratos na dieta e não o fator do peso. No final a conclusão foi a seguinte: apesar de manter a massa corpórea, a dieta de baixo carboidrato melhorou a oxidação de gordura e foi mais efetiva em reverter a síndrome metabólica, especialmente os altos triglicerídeos e o baixo HDL e também as partículas ruins de LDL. Apesar de conter mais de 2,5 vezes mais gordura saturada do que a dieta de alto carboidrato, a dieta low carb abaixou os níveis sanguíneos de gordura saturada. Mais uma vez, né, pessoal. A gente sabe que comer gordura saturada não significa que você vai ter gordura saturada nas veias. Bom, é interessante notar que mesmo tentando alimentar o suficiente para manter o peso dessa galera toda, o grupo low carb acabou perdendo 1,6 kg a mais durante as 4 semanas do que o grupo high carb, lembrando que são todos calorias iguais, todas as dietas de igual caloria. A gente já viu isso, quando você se alimenta de forma low carb, o corpo tende a queimar mais caloria. Isso é normal. O corpo se autorregula de uma forma diferente, não é somente quantas calorias você colocou e quantas vai acabar. E é mais uma prova esse estudo mostrando que mesmo comendo a mesma quantidade, o grupo low carb perdeu mais peso. Enfim, a queda nos triglicerídeos foi muito maior em low carb, foi 40% maior do que no grupo high carb. O aumento no HDL foi também consideravelmente maior, o que é um ótimo sinal. E também a melhora na sensibilidade à insulina também foi bastante melhor no grupo low carb comparado. Agora, é interessante notar… esse é um detalhe que eles não mencionaram. Como eu falei, tinha um grupo alto em carboidrato, um médio e um baixo. O interessante que o pior resultado em termos de resistência à insulina foi em qual? Foi no grupo de médio carboidrato. Olha só, pessoal. Não sei o pessoal que acompanha os meus vídeos no YouTube, Emagrecer de Vez no YouTube… Pessoal, a gente atingiu 900 mil seguidores ontem! Muito bom! Mas o seguinte: já venho falando há um tempo que uma das piores coisas que você pode fazer na dieta é comer proporções iguais de carboidratos e gorduras. É uma combinação que não existe naturalmente na natureza. E esse estudo, apesar de ser um detalhe que não foi nem mencionado, mostrou que o grupo que comeu quantidades mais parecidas de carboidrato e gordura (foi o de médio carboidrato) teve o pior resultado em resistência a insulina. O resultado é pior do que as pessoas que comeram mais carboidratos e pouca gordura. Então, isso é interessante se notar também como um detalhe que acabou sendo um detalhe. Mas o foco do estudo, dr. Souto, mais uma vez a gente vê que a mudança qualitativa na dieta e não quantitativa (na questão de calorias) acaba gerando todos esses benefícios que não são por causa do peso, mas por causa das mudanças da qualidade dos alimentos que a gente ingere.

Dr. Souto: Esse estudo é muito importante. Ele foi um dos estudos dos pontos altos de 2019 até o momento. Ele não é um estudo grande, ele é um estudo pequeno, é um estudo com uma duração curta, mas mostrou o que ele precisava mostrar. Que é o fato de que o benefício da restrição de carboidratos vai além da perda de peso. Porque a perda de peso, obviamente, é um benefício. E está ficando cada vez mais claro… A gente sempre fala muito da gordura no fígado, da esteatose. Mas para o diabetes especificamente existe também a gordura no pâncreas. Então, logo a gente vai estar falando assim: fígado gordo e pâncreas gordo.

Rodrigo Polesso: Orelha gorda, tudo está ficando gordo nesse mundo!

Dr. Souto: Mas assim, a orelha gorda não causa problemas.

Rodrigo Polesso: Não que a gente saiba! Vai saber…

Dr. Souto: Ter gordura no subcutâneo não causa…

Rodrigo Polesso: Mas nos órgãos é diferente.

Dr. Souto: Nos órgãos é diferente. Então, o fígado quando acumula gordura, ele se torna resistente à insulina. E um fígado resistente à insulina secreta triglicerídeos elevados, secreta muita glicose no sangue, faz parte do diabetes. Mas o pâncreas gordo, ele começa a secretar num primeiro momento mais insulina e depois ele começa a entrar em falência, que é o que realmente gera o quadro definitivo de diabetes tipo 2, quando a glicose no sangue começa a subir de forma descontrolada, porque a pessoa tem além da resistência à insulina, ela também  passa a ter um pâncreas que trabalha mal, porque o pâncreas está gordo. Por que eu estou citando isso? Porque aparentemente para eliminar a gordura do pâncreas, o emagrecimento se faz necessário. Então, tem algumas linhas de estudos que convergem. Tem os estudos do Virta, no qual os pacientes… Relembrando, Virta é aquela empresa americana que faz dieta cetogênica para tratamento de diabetes. Mostram que um número grande, na faixa de 60% dos pacientes conseguem reverter o seu diabetes com dieta cetogênica. E fazendo uma análise, os que revertem são justamente os que emagrecem mais. O dr., se não me engano, Roy Taylor é o nome dele, o inglês que fez a mesma coisa com uma dieta de fome baseada em shakes que tinham 800 calorias por dia e conseguiu reverter o diabetes em uma proporção parecida de pacientes. Quando eles foram analisar, quem reverteu o diabetes tinha perdido, pelo menos, 15 kg. E o dr. Jason Fung tem feito esse mesmo tratamento na clínica dele em Toronto com jejum. E, mais uma vez, ele consegue reverter o diabetes e restaurar a normalidade da função do pâncreas dos pacientes que através do jejum conseguem reduzir a gordura do pâncreas. Então, toda essa história para dizer o seguinte: sempre se achou que basicamente qualquer coisa que emagreça basta. E esse estudo está mostrando que não é só o emagrecimento. Low carb tem efeitos benéficos sobre a síndrome metabólica mesmo quando você não emagrece.

Rodrigo Polesso: Exato.

Dr. Souto: Então, entre tomar shake sabor morango por 90 dias, comendo 800 calorias, querendo morrer e sentindo fome ou fazer uma cetogênica, comendo comidas deliciosas em casa, em restaurantes, onde for (porque não precisa ser só shake), vamos na segunda. Porque a segunda (a cetogênica) além de produzir perda de peso e, portanto, poder diminuir a gordura do pâncreas e reverter o diabetes, agora esse estudo comprova que tem benefícios extras por ser low carb que vão além da perda de peso. Então esse estudo foi um dos estudos importantes do ano. Ele mostrou que sim, outros estudos já tinham mostrado, que perder peso é importante e sempre que você perde peso com qualquer estratégia isso melhora o metabolismo. Mas se for com low carb é melhor ainda e não precisa nem perder peso.

Rodrigo Polesso: Sensacional. Foi muito, muito bom mesmo, de verdade! Maravilha! Falando em perder peso, ganhar peso e ganhar sabor, principalmente, o que você degustou na sua última refeição?

Dr. Souto: Ah, hoje foi aquele dia que eu comi a comida da Sila!

Rodrigo Polesso: Banquete?

Dr. Souto: @silamelodias. Tínhamos picanha feita no fogão. Não era churrasco, mas estava espetacular! Tinha uma sobremesa que assim… sinto por aqueles que estão nos ouvindo em jejum e tal, mas era uma cuca de morango com xilitol, farinha de amêndoas, aquelas coisas. E tinha uns vegetais também porque eles são importantes para enfeitar o prato e dar variedade, né?

Rodrigo Polesso: A foto fica bem mais bonita, isso eu te garanto. Sabe que ontem eu fui em um restaurante de tapas aqui, e tinha um prato do restaurante, o prato featured, o que era? Steak tartare, que são pedaços cortadinhos pequeninhos de carne totalmente crua, claro, com temperos, limão, ervas, etc., e servidos em cima de um fêmur, um osso cortado com o tutano assado. Então você comia aquele steak por cima e quando você acabava tinha aquele tutano em baixo, no meio do osso. Que coisa paleolítica, né? Se for pensar…

Dr. Souto: Muito! Eu fico pensando, isso é quase como ser um scavenger!

Rodrigo Polesso: Exatamente! É a mesma coisa, mesmos componentes.

Dr. Souto: Espetacular! E para não dizer que não falei de flores, tinha também uma panquequinha que era feita com uma massa a base de espinafre.

Rodrigo Polesso: Tem que ter a dose de oxalato também, né? Não pode faltar!

Dr. Souto: Com certeza.

Rodrigo Polesso: Para que absorver todo o ferro se você pode absorver só 50%? O Popeye era mito, hein, pessoal! Cuidado! Cuidado que o que você vê no cartoon, na televisão, não é nutrição baseada em evidência! Mas, enfim, maravilha! E outras coisas que você pede em qualquer restaurante espanhol, tapas prosciutto, que é o presunto ibérico (sal e carne, só, não tem mais nada). Queijos de alta qualidade você encontra. E claro que eu levei uma sangria junto para acompanhar, que é a cava com umas frutas dentro. Não era doce, era totalmente seca. Bem gostoso, postei no Instagram! Falando em Instagram, siga a gente lá no Instagram! Siga o dr. Souto no @jcsouto, me siga no @rodrigopolesso e também a ABLC no @ablc.org.br. Lembrando, pessoal, tem mais de 550 receitas dentro da Tribo Forte e mais receitas sendo colocadas semanalmente lá dentro pelas queridas, sensacionais nutris Poliana Freitas e também a nossa amiga Paty Ayres. Então, entre lá em TriboForte.com.br, pegue seu acesso. As receitas são só parte do que você vai encontrar lá dentro. Dr. Souto acho que é isso. Fechamos por hoje aqui, então. Muito obrigado pela sua participação novamente. E semana que vem a gente está aqui sem falta de novo.

Dr. Souto: Obrigado. Um abraço e até a próxima!

2019-07-08T17:57:14+00:00julho 9th, 2019|Podcast|0 Comments

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