TRIBO FORTE #169 – CARNE, IMPACTO DE COMIDA PROCESSADA E MAIS

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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Neste podcast:

  • Resultados de um estudo sobre carne processada e não processada;
  • Relação sobre gordura na dieta, saúde e emagrecimento;
  • Pergunta da comunidade sobre carne;

Escute e passe adiante!!

Saúde é importante!

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

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Abaixo eu coloco alguns dos resultados enviados pra mim por pessoas que estão seguindo as fases do Código Emagrecer De Vez, o novo programa de emagrecimento de 3 fases que é o mais poderoso da atualidade para se emagrecer de vez e montar um estilo de vida alimentar sensacional para a vida inteira.

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Alguns dos resultados REAIS de membros que estão finalizando os primeiros 30 dias do programa Código Emagrecer De Vez.

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Jean
Jonas
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Caso de Sucesso do Dia

Referências

Estudo Sobre Carne Processada e Não Processada

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá! Bom dia para você! Pegue seu cafezinho ou seu chá na mão, porque está começando mais um episódio aqui do podcast semanal da Tribo Forte, a sua dose de saúde e ciência, nutrição baseada em evidência. Hoje a gente vai falar sobre carne, a gente vai falar sobre impacto de comida processada. Tem um estudo bacana para mencionar para vocês sobre isso. Vamos falar da relação da gordura na dieta, saúde, emagrecimento. Vai ecoar um trabalho brasileiro nesse sentido. Enfim, coisas bacanas para a gente bater mais um papo nesse novo episódio. Mas antes, deixa eu dar as boas-vindas ao dr. Souto à mais esse novo capítulo da nossa série. Tudo bem, dr. Souto?

Dr. Souto: Tudo! Boa tarde, boa tarde aos ouvintes.

Rodrigo Polesso: Olha só, vamos começar primeiro com a pergunta que me mandaram de manhã. Eu tenho postado ultimamente como história no Instagram algumas perguntas que as pessoas me mandam, porque eu acho que as respostas para elas muita gente precisa ver. Quem mandou hoje… eu risquei o nome aqui, na verdade, mas a pergunta é a seguinte: “Olá, Rodrigo, bom dia. Eu estava seguindo a alimentação forte principalmente no almoço, onde aumentei minha ingestão de carne e me sentia mais saciada. Porém, eu passei por uma médica que falou que as carnes fazem muito mal, que contém vermes. E eu queria saber a sua opinião sobre isso. Muito obrigada desde já!”

Dr. Souto: Desculpa ter rido!

Rodrigo Polesso: Aí eu respondi o seguinte, dr. Souto, antes de você dar a sua opinião eu respondi que: a minha opinião é que essa médica parece ser… enfim, você pode medir as suas palavras, mas eu não vou medir as minhas, não. Vou ler literalmente o que eu respondi: “Minha opinião é que ela parece ser extremamente incompetente, não ter a menor destreza científica e cometer o pecado de propagar uma ideologia alimentar sem fundamentação. E pior, influenciando irresponsavelmente pessoas de bem como você.” Porque… enfim, dr. Souto, vermes na carne. E ela vai se sentindo bem, comendo bem, praticando uma alimentação forte, passa por uma médica que fala que tudo o que ela está fazendo está errado por causa de um argumento pífio como esse, que deve ter o que? Uns 200 anos já? Que é o verme na carne. Então, não sei… Diga a tua opinião sobre isso para salvar o pessoal desse medo!

Dr. Souto: Eu acho que a nossa ouvinte poderia ajudar essa médica sugerindo para ela que troque o lugar onde ela compra sua carne. Porque se ela está comprando uma carne com vermes, tem que chamar a vigilância sanitária!

Rodrigo Polesso: Concordo, concordo! Ou na beira da estrada, né? Vai saber.

Dr. Souto: É. Ou de repente, existe agora uma moda nos Estados Unidos que é…

Rodrigo Polesso: Road kill!

Dr. Souto: Exatamente! Road kill. Vamos dizer, quando você atropela sem querer um animal selvagem. Então, ao invés de eles deixarem o animal apodrecer lá na estrada, pega o animal e come. Mas daqui a pouco essa pessoa pode ter pego uma carne que está lá há uma semana. E depois de ficar ali ao relento uma semana é possível que tenha vermes, porque as moscas já pousaram, colocaram ovos e tal. Mas assim, comprada no açougue, refrigerado e tal, não tem vermes. Se a pessoa quiser pegar vermes, a forma ideal de fazer isso é com salada mal lavada.

Rodrigo Polesso: Isso que eu ia dizer! É muito mais chance de comer verme com salada, do que com carne.

Dr. Souto: Então, assim, salada, porque é algo que cresce no chão, na terra. Ali onde é adubado com esterco. Tudo bem, isso não é um argumento para não comer salada. Quem quiser vai lá, lava a sua saladinha, mas falando sério, isso é um comentário que agora eu estou falando para vocês termos médicos. A forma de se pegar vermes é comendo vegetais mal lavados. Então assim, sim, o Rodrigo acertou na mosca, isso é uma questão ideológica. A pessoa vai usar qualquer argumento para fazer com que a pessoa não coma carne, porque ela tem essa religião aí que não permite comer carne, de modo que usa-se a questão de que os fins justificam os meios. Então, já que o objetivo dessa médica é que a pessoa não coma carne, por motivos religiosos, qualquer meio é válido, mesmo mentir. É incrível. E aí vem esse detalhe: poxa vida, ela estava se sentindo bem! Ela estava saciada. Saiu um artiguinho bem interessante na NPR. NPR é a rádio pública dos Estados Unidos. Sempre tem uns artigos bem interessantes. E é um artigo no qual eles estão falando da evolução humana, isso não é novidade, mas eu achei o artigo muito bem escrito, e eles relembram o fato de que há 2,3 milhões de anos os nossos antepassados começaram a ter uma expansão do tamanho do cérebro, a modificação dos seus dentes e a diminuição do tamanho do intestino. O que aconteceu? Eles pararam de passar até 12 horas do seu dia basicamente, mastigando alimentos nutricionalmente pobres, pobres em calorias e pobres em nutrientes (basicamente comendo folhas) e eles começaram a transicionar para uma alimentação baseada em carne. E um detalhe que nunca tinha lido é que existe um parentesco filogenético muito próximo entre… eu me lembrei da história por causa dos vermes. Entre os vermes que o ser humano tem e os vermes que os cães selvagens e as hienas têm. E por que isso? Porque, na realidade, nós dividimos saliva com esses bichos, porque tanto as hienas e os cães selvagens, quanto os nossos antepassados estavam lá comendo as mesmas carcaças na África. Então, o ser humano começou comendo carne não como caçador, mas provavelmente como um scavenger, aquele que vai lá recolher o resto da caça que o leão deixou e tal.

Rodrigo Polesso: Oportunista, né?

Dr. Souto: E como é que eles sabem que era o ser humano? Bom, tem as marcas de dentes das hienas e dos cães selvagens, mas tem as marcas de instrumentos afiados, de pedras pontudas, de pedras lascadas que os nossos antepassados usavam para arrancar os pedaços de carne. Isso aí acabou sendo uma coisa irreversível. Cada vez mais os nossos antepassados se especializaram, depois aprenderam a caçar, os seus dentes foram ficando cada vez menores, porque na realidade os instrumentos que nós usamos são como se fossem dentes externos. Eu não preciso ter dentes afiados se eu posso fazer uma pedra afiada para cumprir essa função. E o intestino, isso é uma coisa bem interessante, o cara que melhor escreveu sobre isso é o Richard Wrangham. Ele tem um livro que está traduzido para o português, o original, se não me engano, é Catching Fire, em português eu não me lembro se é Pegando Fogo, ou algo assim. Mas é um livro no qual ele explica que o intestino é uma das coisas que consome muita energia no corpo. Ou seja, o processo digestivo que a gente usa para extrair nutrientes e energia, paradoxalmente o processo digestivo também gasta muita energia. E, se você é um herbívoro, como eram os primatas antes do ser humano, você tem que ter um intestino gigante para conseguir digerir toda aquela matéria de planta. Isso significa que tem que passar a maior parte do tempo comendo, tem que comer um volume muito grande para simplesmente empatar o gasto energético. E um corpo só não consegue sustentar um intestino gigante e um cérebro gigante, tem que escolher um.

Rodrigo Polesso: Essa afirmação é bem legal.

Dr. Souto: Tem que escolher. Então, o ser humano conseguiu resolver, do ponto de vista evolutivo, essa situação tornando-se carnívoro e cozinhando os alimentos. Com o domínio do fogo, se não me engano há 400 mil anos atrás, aí nós realmente começamos a extrair uma quantidade bem maior de calorias dos alimentos. E esses alimentos ficam fáceis de digerir depois de cozidos, e para isso, graças a isso, nós conseguimos encolher muito o tamanho do nosso intestino. E com um intestino menor o corpo pode ter condições, do ponto de vista energético, de sustentar um cérebro grande.

Rodrigo Polesso: Exato! Olha só!

Dr. Souto: Então, esse cérebro grande pode ser usado, ou ele pode não ser usado, por exemplo essa profissional que disse que a carne tem vermes, tem simplesmente uma massa cinzenta consumindo calorias dentro da sua cabeça, mas assim… é um ciclo fútil, né? Consome calorias e só gera calor. Ideia que é bom, não gera nenhuma.

Rodrigo Polesso: Não, e com certeza está usando muito mais o intestino do que nós.

Dr. Souto: Nesse artigo também tem um dado muito legal, eu achei sensacional, que diz que o cérebro, grama por grama, consome 20 vezes mais energia do que os músculos. Então, mais uma vez, no caso dessa profissional que atendeu essa ouvinte é um ciclo fútil, está consumindo isso para gerar calor.

Rodrigo Polesso: Exatamente! De 20 a 25% das calorias do corpo são gastas pelo cérebro todos os dias. Vai ver tem gente que está se achando incomodado por ter uma cabeça pesada com cérebro grande e está se tornando vegano para tentar diminuir. E funciona, viu? Porque tem até estudo mostrando, pessoal, diminui o tamanho doo cérebro. Quem tem dúvida vai lá no YouTube “veganismo emagrecer de vez”, “veganismo Rodrigo”, porque eu já falei disso, já mostrei, inclusive, evidências dessa questão. Então é isso. A gente demorou tantas centenas de milhares de anos para aprender uma coisa, que hoje, por causa de ideologia, a gente quer reverter toda essa evolução. Está dada a mensagem.

Dr. Souto: Quer ser vegano? Seja. Existem, por incrível que pareça, já falei aqui, tem lá a dra. Diulus, que foi uma das coautoras daquele livro de cetogênica para diabetes tipo 1. ela faz dieta cetogênica vegana. É com suplementação, etc. Mas assim, ela consegue. Agora, não vai falar… eu ia dizer um palavrão, mas enfim… Não vai falar bobagem para uma pessoa que está comendo a sua carninha e que está se sentindo melhor, está emagrecendo, está melhorando do ponto de vista metabólico, está com menos fome. Então, diz para a pessoa assim, ó: “Eu acho que você não deveria comer carne, porque eu tenho pena dos bichos.” Mas não vai mentir que tem vermes, né?

Rodrigo Polesso: Exatamente! A gente deveria fazer uma série sobre carne aqui, porque a gente pode ficar falando até sem pauta, que sempre vêm assuntos sobre isso.

Dr. Souto: Sempre vêm.

Rodrigo Polesso: Vamos pular para o próximo aqui. Pessoal, é um estudo bem legal que saiu bem recentemente agora do Kevin Hall. O título dele é: Dietas ultraprocessadas causam o excesso de ingestão de calorias e ganho de peso. É um ensaio clínico randomizado feito em uma clínica, em ambiente fechado. E é o seguinte o que aconteceu: eles pegaram 20 adultos de peso estável e estudaram essa galera internadas na clínica. Ou seja, o pessoal ficou dentro da clínica, sem ir para casa, dentro da clínica, ambiente totalmente controlado. E eles passaram a receber aleatoriamente dois tipos de dieta. Uma não processada e uma outra ultraprocessada, porém, ambas com a mesma quantidade de proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, açúcares e calorias. Eles foram instruídos a comer ad libitum, a comer quanto eles quisessem desses alimentos. Ou seja, se satisfazer com a dieta à medida que eles queriam, comer pouco, comer muito, como eles quisessem. Depois eles mediram tudo isso aí. Eles iriam seguir uma das duas dietas por duas semanas e depois a outra dieta para medir. E a ordem que isso acontecia, uma dieta antes da outra, foi aleatória nesse grupo para ficar mais justo. Eu fui dar uma olhada no conteúdo suplementar e tem lá os exemplos e fotos, inclusive, da alimentação, das refeições de cada uma dessas dietas. Então eu vou dar um exemplo para vocês aqui de um dia típico da dieta ultraprocessada que eles chamaram, ok? Café da manhã: cereal, leite integral, muffin e margarina. É um café que não precisa ir longe para ver o pessoal comendo cereal com leite de manhã, um muffinzinho, pode ser um croissant em vez do muffin, e uma margarina para passar no pão. Isso é comum. Esse foi o café da manhã da dieta ultraprocessada. No almoço dessa dieta foi o seguinte: ravioli recheado com carne, queijo parmesão, pão branco, margarina de novo, margarina light e cookies de aveia. Esse foi o almoço, um macarrão, tinha pelo menos uma carne, tinha um queijinho, tudo mais. Na janta dessa dieta ultraprocessada eles colocaram um bife, molho, purê de batatas, margarina, milho, limonada light e um nesquik low fat de sobremesa, que não é… Na verdade daria para ser muito pior essa janta do que um bife com purê de batatas, né? Tudo bem que tem a margarina e tal, mas o Nesquik eu achei engraçado.

Dr. Souto: O nesfit foi engraçado.

Rodrigo Polesso: Nesquik!

Dr. Souto: Nesquik! Aquele de morango, né?

Rodrigo Polesso: Aquele que a gente tomava na infância.

Dr. Souto: Rosa.

Rodrigo Polesso: E aí, essas foram as três refeições, durante o dia eles deixaram uma variedade de snacks, de lanches disponíveis para essas pessoas comerem quanto elas quiserem. Dentre eles tinha: batata chips assada, ou seja, não é aquela deep fried, não é frita, então tem bem menos gordura, menos calorias, digamos assim. Amendoim, bolacha tipo cracker e também um molho de maçã que você pode colocar nessa bolacha cracker. Ótimo, essa foi a dieta ultraprocessada, que podia ter sido muito pior, mas enfim. Agora, os mesmos exemplos da dieta não processada, do outro grupo. Café da manhã: iogurte grego com morango, banana, nozes e azeite de oliva. Eu achei estranho essa questão do azeite de oliva com iogurte, mas tudo bem, foi isso que eles falaram lá. Iogurte grego, então, com nozes, banana e morango e depois umas fatias de maçã também. Ok, pode ver que não tem nada de low carb nisso, mas tudo bem. Almoço: salada de espinafre com peito de frango, fatias de maçã, bulgur (que é tipo uma quinoa da vida, é um grão), sementes de girassol e uvas. E para temperar vinagrete com azeite, uma salada básica. Lembrando que tudo isso equalizado em calorias e macronutrientes entre as duas dietas. Jantar: bife, arroz com pimentões, brócolis no vapor, uma salada simples, fatias de laranja e nozes pecãs. E de snacks durante o dia eles deixavam laranjas, maçãs, uvas passas e também amêndoas e nozes para as pessoas consumirem caso elas estivessem com fome. Vamos lá! O grupo que consumiu a dieta ultraprocessada, pessoal, ingeriu em média estonteantes 500 calorias a mais por dia do que o grupo que consumiu a dieta não processada. Sem contar que esse grupo que consumiu ultraprocessada também ganhou peso equivalente ao excesso dessas calorias. E o segundo grupo da não processada perdeu. O excesso de calorias veio de carboidratos, principalmente, enquanto a ingestão de proteínas se manteve igual nos dois grupos. A gente tende a falar isso sempre aqui, que a proteína basicamente se auto regula. Existem estudos parecidos em ratos, que quanto mais processada a dieta mais eles comem e mais peso eles ganham, independente do conteúdo da dieta em sim. Então novamente, relembrando: tudo foi equalizado entre macronutrientes, fibras, açúcares, tudo equalizado, só mudou a qualidade dos alimentos, a composição foi a mesma. E o pessoal foi instruído a comer espontaneamente de acordo com a vontade. E mesmo assim, o bottom line aqui, a conclusão é que o grupo que comeu comidas processadas acabou comendo 500 calorias a mais por dia de alimentos do que o outro grupo. Enfim, nada de novidade, dr. Souto, mas só por ter sido um estudo extremamente bem controlado in patient, equalizado em questão de macronutrientes e nutrição, a gente tem uma prova bem clara do ensaio clínico randomizado dizendo que o mero processamento e qualidade dos alimentos tem impacto crucial no futuro da saúde e boa forma das pessoas.

Dr. Souto: A gente fala tanto de estudo mal feito que é gostoso poder falar de um estudo bem feito.

Rodrigo Polesso: É mesmo.

Dr. Souto: Então, assim, esse estudo foi espetacular! Falem o que falem do Kevin Hall, o Kevin Hall vive se batendo com os autores low carb, ele não é um sujeito que defenda a abordagem low carb. Mas o fato é que o cara é um baita cientista. E os estudos dele são, em geral, muito bem controlados, muito bem desenhados. E esse aí não é exceção. Porque muitas das vezes as coisas se confundem. Um estudo, por exemplo, vai ter mais alimentos processados… Ah, a maioria dos alimentos processados é carboidrato, açúcar e farinha. Mas o que acontece? O pessoal critica, sim, mas essa é uma dieta que tem pouca proteína, então as pessoas ficam menos saciadas, porque tem pouca proteína. Então ele fez questão que a quantidade de proteína nas dietas oferecidas fosse a mesma. Ele fez todo o controle e então, basicamente a diferença entre os grupos era somente o grau de processamento. Outra coisa também, como você deixou bem claro, nenhum dos grupos era low carb. Os dois grupos tinham uma proporção razoável de carboidratos, os dois grupos não tinham muita gordura. Quer dizer, era uma dieta mais ou menos como a dieta que as diretrizes convencionais recomendam, uma dieta com mais carboidrato. Só que em um grupo era carboidrato lixo e no outro grupo era carboidratos de qualidade maior. Quem desenvolveu essa classificação, essa ideia de processados, ultraprocessados, versus não processados ou minimamente processados, que se chama Sistema Nova, é um brasileiro. É um brasileiro, professor Carlos Monteiro da USP. E o nosso guia alimentar brasileiro utiliza isso. Desde 2014 o guia alimentar brasileiro usa o conceito de que o que importa é escolher alimentos minimamente processados ou não processados. Então, esse estudo do Kevin Hall na realidade está dando um importante suporte científico a essa ideia genial do dr. Monteiro.

Rodrigo Polesso: Sim.

Dr. Souto: Porque até então ela, cá entre nós, era uma ideia, era uma hipótese. A gente já tinha evidência indireta, evidência observacional, evidência epidemiológica. Pessoas que consomem alimentos mais processados tendem a ter mais obesidade, mais síndrome metabólica, mais diabetes. Mas aí a seta da causalidade poderia ser diferente, por que não? Poderia ser o seguinte: pessoas que tem menos acesso à alimentos de qualidade, tem um nível socioeconômico mais baixo acabam adoecendo, mas os alimentos processados são mais baratos. Talvez fosse um marcador de pobreza, entendeu? Mas não. Esse estudo agora é um ensaio clínico randomizado. Todas essas variáveis aí estão fora. A única diferença era: alimentos processados ou minimamente processados comparados, randomizados. E é uma diferença louca, 500 calorias por dia!

Rodrigo Polesso: É muita coisa.

Dr. Souto: É muita coisa. Agora, tem um detalhe que também está contido nesse estudo, que vale uma bela reflexão. Sabe quanto a mais custou a dieta das pessoas que fizeram uma dieta de alimentos não tão processados? Custou 40% a mais. Isso não precisa necessariamente ser assim. Mas da forma como o sistema alimentar está desenhado nos dias de hoje, infelizmente sim, os alimentos processados acabam sendo bem mais baratos.

Rodrigo Polesso: Sim.

Dr. Souto: Esses dias eu estava conversando com um paciente meu que me provou por A + B que tinha uma determinada feira onde ele comprava os produtos orgânicos dele, que era mais barato do que no supermercado. Mas é que o nosso sistema alimentar, o nosso food system não está organizado para favorecer esse tipo de coisa. De modo que realmente em termos de escala de produção… a escala de produção é uma forma de baratear as coisas e aí vocês imaginam tentar fazer alimentos pouco processados que acabam sendo em escala menor ou mais artesanais, é difícil conseguir o preço de uma indústria que faz uma monocultura gigante, detonando o meio ambiente. Aliás, é sempre uma oportunidade da gente lembrar aqui. Com uma vaca é possível alimentar um ser humano por um ano. Então é uma vida que se perdeu ali. Mas saiu publicado, acho que essa semana ainda, poucos dias atrás, um artigo mostrando que na França está havendo um declínio catastrófico de uma série de populações de aves. E o pessoal descobriu que o problema é o seguinte, é que as grandes extensões de monocultura, graças ao uso de pesticidas, estão dizimando os insetos que servem de alimentos para essas aves. Então assim, onde você tem uma criação extensiva de gado, a pecuária, o gado comendo capim, que é a forma que o gado é feito para ser criado, ali a biodiversidade aflora. Ali o que tem de animais selvagens convivendo junto, pássaros, insetos… Agora, a monocultura ela é um desastre ecológico. Então, vamos ver se a gente entende: eu preciso dizimar um ecossistema e matar milhares e milhares de animais para produzir a monocultura que vai permitir ao vegetariano achar que o que ele está comendo não matou nenhum animal.

Rodrigo Polesso: Exato.

Dr. Souto: Então, são coisas que a gente tem que refletir. Quer dizer, a ecologia é uma coisa complexa, mexer nesse sistema é uma coisa que tem resultados muitas vezes imprevisíveis. Quando eu li a manchete daquele estudo, eu pensei: nossa, o veneno está matando os pássaros. Não, o veneno estava matando os insetos, só que os insetos são os alimentos dos pássaros. Aí daqui a pouco o que acontece? Começa a declinar essa população de pássaros e quem sabe outros insetos que não são pragas da lavoura, mas que são pragas humanas, como mosquitos, por exemplo, vão começar a proliferar porque não tem o pássaro para comer o mosquito. Ecologia é um troço bem complexo.

Rodrigo Polesso: Tudo é interligado, né?

Dr. Souto: Quem já viu uma fazenda de pecuária sabe. Estão ali as vaquinhas, aí a vaquinha tem o carrapato nas costas, vai lá o passarinho pousa em cima da vaca e come o carrapato, e aí a vaca evacua e aquele cocozinho no solo serve de adubo, também ali os insetos vão colocar ovos. Existe toda uma biodiversidade. E tudo isso está sequestrando carbono atmosférico e botando no solo.

Rodrigo Polesso: Isso é chamado natureza.

Dr. Souto: Isso é chamado natureza. Assim, por incrível que pareça, a natureza que sempre teve herbívoros, nunca precisou do ser humano para funcionar bem, gerar solo, ter uma camada de solo fértil. O que acaba com o solo fértil e libera carbono na atmosfera, repito… é importante bater nessa tecla toda semana. Não é o pum da vaca. O pum da vaca vai para a atmosfera, a grama pega aquilo junto com o sol faz fotossíntese e transforma em mais grama, que por sua fez gera mais vaca e é um sistema maravilhoso, movido à energia solar. O problema é eu pegar o carbono que está sequestrado há 200 milhões de anos nas profundezas da Terra, petróleo, né? Vou tirar e vou usar isso para fazer monocultura industrial para fazer o tofu do sujeito que acha que esse tofu vai salvar o planeta.

Rodrigo Polesso: Não vai salvar nem ele!

Dr. Souto: Ao mesmo tempo, criando a monocultura, que é a coisa mais próxima de um deserto ecológico que existe, destruindo a vida de milhões de animais, para poder ter a ilusão do sujeito que mora na cidade e não tem noção, de que aquilo que ele está comendo não carrega a morte de outros seres.

Rodrigo Polesso: Muito bem dito. Como eu falei, a gente pode só falar sobre esses assuntos, a gente sempre acaba voltando para a mesma coisa, que é essa loucura dessa ideologia alimentar moderna.

Dr. Souto: Voltando ao estudo do Kevin Hall, acho que ele é sensacional. Ele dá suporte científico extremamente forte para as diretrizes brasileiras. E eu acho que ele vem também a casar bem com aquele estudo que nós comentamos há vários meses atrás, que se chama DIETFITS. Para relembrar a memória do pessoal: era aquele estudo conduzido pelo Gardner da Universidade da Califórnia, que foi um ensaio clínico randomizado no qual eles fizeram um grupo low carb e um grupo low fat, mas nos dois grupos ele fez um esforço tremendo para que as dietas fossem de alta qualidade, minimamente processadas. Quando foi feito assim, quase não teve diferença entre os grupos. É bem verdade que há críticas naquele estudo, o grupo só foi low fat e low carb mesmo nas primeiras 8 semanas, e o estudo durou um ano, se não me engano. E depois das primeiras 8 semanas o grupo low fat podia comer mais gordura e o low carb podia comer mais carboidrato até a quantidade que eles achassem confortável, de modo que acabou sendo a comparação de um braço não muito low carb com outro não muito low fat e ambos com boa qualidade. O fato é que houve perda de peso nos dois grupos. Mostrando que talvez o principal em nível populacional… eu estou falando para a população em geral, não estou falando para gente doente. Para a população em geral sim, evitar alimentos processados e ultraprocessados já é 80% do caminho. Agora, se estivermos falando de obesidade, síndrome metabólica, diabetes, resistência à insulina, aí não tem para ninguém, né, pessoal? Aí é low carb. Quem disse que low carb é o mais estudado e o que tem melhor resultado glicêmico nessas situações não é o Polesso, não é o Souto, é a Associação Americana do Diabetes, nas diretrizes mais recentes de 2019.

Rodrigo Polesso: É isso aí. Muito bom. Ah, e sobre a questão do custo, mesmo se você não fizer a sua pesquisa e acabar tendo que gastar 40% mais em uma dieta para te deixar saudável e em forma para o resto da vida, ao invés de comer ração, você tem que pensar, parar um pouco, parar de reclamar e ver onde você consegue cortar excesso de supérfluo que você está gastando no seu dia a dia para poder talvez priorizar, elencar melhor as suas prioridades, no caso. Alimentação acho que é uma das principais coisas.

Dr. Souto: E remédio custa caro também, né?

Rodrigo Polesso: Muito caro.

Dr. Souto: Insulina custa caro também.

Rodrigo Polesso: Não só para as pessoas, mas para o governo e para todo mundo. É isso aí, pessoal. Caso de sucesso de hoje. As pessoas se transformando como sempre. Ela falou: “Meu nome é Rosana Selaro, eu tenho 50 anos e quero compartilhar o meu resultado e do meu filho de 22 anos do Desafio 30 Dias. Eu perdi 6 kg e 6 cm de cintura e meu filho 7,4 kg e 6 cm de cintura. Muito feliz com o resultado e empolgada para a segunda fase!” Veja só, o pessoal fala: Ah, Rodrigo, você não entende eu estou com 50, 60 anos, o emagrecimento não é igual. Nesse caso ela fez o Desafio 30 Dias junto com o filho de 22 anos, ela perdeu 6 e o filho perdeu 7,4 kg e ambos perderam 6 cm de cintura fazendo o que tem que ser feito. Então, idade não é desculpa. Esses 30 dias, o Desafio 30 Dias é como eu sempre falo, a primeira fase do Programa Código Emagrecer de Vez, que são 3 fases no total. Se você quer seguir, quer ver como funciona, entre em CódigoEmagrecerDeVez.com.br. Toda semana eu trago um caso de sucesso aqui para motivar as pessoas e mostrar que sim, é possível se renovar, viver em forma e saudável, independente da idade, quando se faz as coisas certas baseadas em evidência.

Dr. Souto: Muito bom!

Rodrigo Polesso: Muy bueno! Eu quero compartilhar aqui um trabalho de conclusão de curso de pós-graduação de nutrição da USP, da nutricionista Marta Nicolli. Ela nos contatou há um tempo atrás dizendo que queria que esse trabalho de conclusão dela ganhasse uma atenção e também dizendo que ela não conseguiu publicar esse trabalho em lugar nenhum, por estar no caminho oposto da norma atual, essa corrente de ideologia que a gente tem falado ultimamente. O trabalho dela, para você entender, foi uma revisão de literatura em relação ao consumo de gorduras na dieta, relação de gorduras com saúde e perda de peso. O que ela fez nesse trabalho de conclusão, nesse TCC, ela revisou 43… Mais, na verdade, uma centena de publicações, mas acabou filtrando e ficou com 43 publicações científicas que ela avaliou, que foram publicadas depois do ano 2000. Então, 43 publicações nesse sentido de gordura, dieta e emagrecimento mais atuais, depois do ano 2000. A conclusão do trabalho foi a seguinte, eu vou ler ipsis litteris aqui. “Os resultados dessa pesquisa demonstram que a intervenção padrão preconizada de redução no consumo alimentar de gordura, não refletem maiores ganhos para a saúde ou para a redução de peso. Redução de peso pode ser variável entre intervenções que preconizam redução de carboidratos, de gorduras ou mesmo de valor calórico total. No entanto, o peso por si só torna-se secundariamente importante ao se obter melhoras em padrões bioquímicos, hormonais e metabólicos, no qual observa-se, quase na totalidade, não se beneficiam por restrição de gorduras. Considerando assim relevante para a prática clínica nutricional a adoção de estratégias atualizadas com base em comprovações de causa e efeito, objetivando estabelecer bons hábitos alimentares, prevenir o sobrepeso, tratar obesidade e as comorbidades associadas.” Essa última frase eu gostei bastante: considerando-se irrelevante para a prática clínica nutricional, os nutricionistas do dia a dia, a adoção de estratégias atualizadas com base em comprovações de causa e efeito. Se não é isso, o que eles estão fazendo? Como é que é… essas coisas esotéricas? Não, ciência. E isso tem que escrever no trabalho para ficar evidente. Eu só queria parabenizar a Marta por esse trabalho que ela fez. A gente está aqui ecoando isso aqui. E quem quiser entrar em contato com ela, pode entrar no Instagram. O Instagram dela é @nutri.martanicolli. Então quero deixar os parabéns para ela aí. Nada que seja uma novidade na questão de gordura para quem está ouvindo aqui, né, dr. Souto? A gente fala isso desde o primeiro episódio. Mas mais uma vez mostrando em um trabalho nacional, mostrando que a literatura simplesmente não reflete esse dogma da baixa gordura.

Dr. Souto: Primeira coisa: parabéns, Marta! A gente disse que ia falar e está falando do teu trabalho. E acho que tem que falar mesmo, porque quanto mais esse tipo de trabalho for feito como trabalho de conclusão nas Universidades Brasil à fora, é uma oportunidade de educar, inclusive, os seus professores. Porque o professor teve que ler isso aí. E com certeza aprendeu. Porque viu que o estudo está feito, viu que o estudo é bem feito, viu que os estudos que foram revisados existem, os resultados são reais. Contra fatos não há argumentos. Então, eu acho que serve de dica para os estudantes de nutrição que estão nos ouvindo. É um caminho complicado. Eu não me lembro se foi a Marta que falou, se não foi ela, foi um outro estudante de nutrição que tinha me dito que acabou fazendo sem orientador, porque não conseguiu achar um professor orientador que topasse orientar o trabalho. E a pessoa igual fez e apresentou. Eu acho que cada um de nós é um trabalho de formiguinha e a gente vai espalhando a informação, vai disponibilizando a notícia. E, por incrível que pareça, no que tange à alimentação, muitas vezes são os alunos que estão ensinando os docentes nas Universidades.

Rodrigo Polesso: Eles estão mais atualizados, cabeça aberta e sem tanta ideologia. Então, parabéns! Parabéns para vocês que movem a agulha na direção certa. Dr. Souto, o que você degustou na sua última refeição? Brócolis ao vapor? O que mais?

Dr. Souto: Não… Dessa vez eu comi um banquete, que assim… desculpa, pessoal, mas de vez em quando eu almoço na casa da minha mãe. Eu acho que vocês tem que segui-la. A cozinheira da minha mãe tem Instagram, é @silamelodias. A Sila faz mágica, mágica low carb, que fique bem claro. Então, eu comi uma moqueca de peixe, daquelas de comer de joelhos, botando uma pimentinha. Uma moqueca de peixe… Eu comi um estrogonofe de cogumelos com molho de vinho.

Rodrigo Polesso: Meu Deus do céu!

Dr. Souto: É. Deixa eu me lembrar o que mais que tinha… Era tanta coisa… Eu não vou deixar vocês em dúvida, eu vou olhar as fotos que eu bati para não esquecer de nada!

Rodrigo Polesso: Nossa Senhora! Isso não é refeição, isso é projeto, né?

Dr. Souto: Então tá! Moqueca, tinha também aspargos com palmitos feito na manteiga, os cogumelos que eu falei, que estava uma coisa surreal de gostoso, repito, com molho de vinho e claro, com creme de leite. Tinha uma saladinha mista também. E de sobremesa a Sila fez uma cuca low carb. Farinha de amêndoas, xilitol… Mas é uma cuca, inclusive com aquele açúcar que vai em cima da cuca, mas não era açúcar. Quem quiser entra lá no Instagram da Sila e pergunta como ela fez aquele negócio. Eu sei que envolveu farinha de amêndoas, xilitol, manteiga, colocar aquilo a um tempo x a uma temperatura y para produzir os grãozinhos da cuca.

Rodrigo Polesso: Meu Deus do céu! Cara, parabéns, hein!

Dr. Souto: Às vezes é só um bifinho, mas assim, é possível fazer low carb com ostentação!

Rodrigo Polesso: Com certeza é possível! Bom, para quem não tem a Sila para fazer esse banquete, eu fiz no grill só um baita de um bife e um queijo de sobremesa. Muito simples, muito minimalista, muito essencialista, eu diria. Bom, é basicamente isso, pessoal. Para quem quer dedicar muito tempo na cozinha, você pode se tornar um chef gourmet praticando low carb, se quiser. Ou você pode ser um cara totalmente preguiçoso, como eu normalmente sou (durante a semana, pelo menos) e fazer uma coisa muito rápida e se nutrir completamente. Porque a gente sabe o que funciona. #alimentaçãofortenacabeça. Maravilha! É isso! A gente vai fechando aqui hoje. Sigam a gente no Instagram: @rodrigopolesso, @jcsouto e também @ablc.org.br. Quando você se conecta a essa turma sempre acaba achando mais gente que está conectado a esse movimento positivo e todos nós vamos nos movendo para frente, seguindo cada vez mais saudáveis e mais fortes. E assim é que influencia outras pessoas, sendo exemplo de mudança. Dr. Souto, obrigado pela atenção. Semana que vem a gente está aqui de novo para mais um papo.

Dr. Souto: Obrigado e até a próxima semana!

2019-06-03T14:05:00+00:00junho 4th, 2019|Podcast|0 Comments

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