TRIBO FORTE #157 – FIBRAS, SOBREMESA E CARNE DE LABORATÓRIO

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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Neste podcast:

  • Falaremos sobre fibras e algumas asneiras a respeito;
  • Pérola publicada na Veja a respeito de sobremesa;
  • Artigo sobre carne de laboratório;
  • Livro do Rodrigo Polesso;

Escute e passe adiante!!🙂

Saúde é importante!

OBS: O podcast está disponível no iTunes, no Spotify e também no emagrecerdevez.com e triboforte.com.br

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🙂

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Jean

Jonas

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Caso de Sucesso do Dia

sucesso bruno

 

 

Referências

Estudo Feito no Canadá Sobre Macarrão

Artigo Sobre a Carne de Laboratório

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá para você! Bem-vindo a mais um episódio aqui do podcast da Tribo Forte, a sua dose semanal de estilo de vida saudável baseado em evidência. Esse é o podcast, o episódio número 157. Hoje, pessoal, a gente vai falar sobre fibras, sobre sobremesa, nós vamos falar sobre carne de laboratório. É um show de diversão, como sempre aqui! A gente espera poder compartilhar uma informação útil de um jeito descontraído com você aqui. Deixa eu dar as boas-vindas ao dr. Souto a mais este episódio. Dr. Souto, como está por aí?

Dr. Souto: Tudo tranquilo! Boa tarde, Rodrigo e boa tarde aos ouvintes.

Rodrigo Polesso: É isso! Eu vou começar falando da questão das fibras. Bom, o tema na verdade hoje é, enfim, má informação compartilhada na mídia. Que é um tema que tende a ser bastante recorrente aqui no podcast. Mas antes de começar deixa eu dar um agradecimento especial. Na semana passada eu fui à São Paulo e Rio de Janeiro fazer um bate-papo, noite de autógrafos com o pessoal lá. Quero agradecer todo mundo que foi. Foi muito bacana, muito bacana mesmo trocar uma ideia, tirar foto, autografar, responder perguntas, interagir com todo mundo lá sobre o lançamento do livro novo, o livro Este Não É Mais Um Livro De Dieta, que, inclusive, na semana passada saiu na lista dos mais vendidos da Veja. Saímos em 5º lugar lá. E se for pensar um livro de estilo de vida saudável, de saúde baseada em evidência está entre os mais vendidos no país… Acho que isso diz bastante coisa, que o pessoal está interessado realmente. E isso é possível por causa de todo mundo que posta o livro no Instagram, agradece, compra para os amigos (como tem muita gente que me conta). Então eu quero agradecer a todo mundo que está passando essa mensagem adiante. Com a ajuda de todo mundo a gente consegue pulverizar essa informação! O livro agora está disponível somente nas livrarias, ou seja, somente porque eu estava vendendo antes como pré-venda. Mas agora está oficialmente sendo vendido em todas as livrarias. Se você tem alguma preferência, vai na sua livraria e você vai achar, ou direto na Amazon, entra na Amazon.com.br. O pessoal que mora fora do Brasil pergunta bastante. Você pode pegar a versão do Kindle, tanto no Brasil quanto fora, tem a versão do Kindle. Lembrando que você pode baixar o aplicativo do Kindle no celular, no IPad, no Kindle mesmo, onde você quiser. Então o nome do livro é Este Não É Mais Um Livro De Dieta, é baratinho, fácil de ler, rápido e pode ajudar. É isso aí, pessoal! Obrigado a todo mundo que fez desse livro um dos mais vendidos da semana passada na lista da Veja.

Dr. Souto: E parabéns, Rodrigo! Parabéns!

Rodrigo Polesso: Obrigado mesmo, dr. Souto! Acho que é uma causa que todos nós estamos lutando. Vamos lá! Primeira coisa: novo relatório da Organização Mundial da Saúde propaga novamente dados, obviamente de fracos estudos epidemiológicos, enfatizando a importância das fibras. O relatório aponta que o consumo de fibras está associado à menor incidência de câncer e outros problemas. Certo, isso a gente já escuta há um bom tempo, essa associação positiva entre fibras e saúde. Só que a indústria pegou o vácuo disso aí e começou a publicar algumas asneiras aí para… Enfim, para enganar, para entregar a agenda deles para a população disfarçada de algum artigo mais sério. E o exemplo disso, um exemplo gritante que vai trazer a tona como exemplo para realmente fortalecer o senso crítico das pessoas, o ceticismo inteligente que a gente sempre fala aqui. Por isso é bom trazer esse exemplo. E não é de uma revistinha daqui ou dali, é uma revista grande. Saiu uma matéria na revista Veja, uma das principais revistas do país como seguinte título: Sim, pode e deve. É um artigo de autoria do jornalista Fábio Codeço, e o subtítulo dessa matéria é o seguinte: “Pesquisas mostram que cortar radicalmente fibras e carboidratos, como propõem os regimes da moda, faz mal à saúde. E acredite, macarrão com moderação não engorda.” Então vamos lá! Se você está acostumado a ouvir a gente, você já imagina o que vem pela frente. Então vou dar uma pincelada rápida aqui, depois a gente discute. Lembrando que o foco da discussão são as fibras e quais são as melhores fontes de fibras do planeta Terra, pessoal? Exatamente, legumes, folhas, nozes. Essas são as melhores fontes de fibra que a gente tem. Adivinha que fotos eles colocam nessa matéria orgulhosamente para tentar exemplificar essa questão da fibra? Macarrão e pão. Eles vão até o ponto de dizer que o índice glicêmico do macarrão é baixo e que não eleva o açúcar do sangue. Bom, o índice glicêmico do açúcar de mesa é 65, para você ter uma ideia e o macarrão é 49. Ou seja, é óbvio que eleva consideravelmente o açúcar do sangue. Esse é um dos fatos errados que eles mencionam. Eles têm a cara lavada a tal ponto de dizer que um estudo feito no Canadá, no qual o seu líder promoveu 30 testes clínicos, mostrou que o macarrão emagrece. É! Para você ter uma ideia, o tal estudo, eu fui lá dar uma olhada no que é, é uma revisão sistemática onde o tal líder do estudo não promoveu absolutamente nada. Ele não conduziu nenhum estudo, é uma revisão. Aliás, as conclusões dessa própria revisão são as seguintes: “Nenhum ensaio clínico que comparou o consumo de macarrão por si só foi encontrado.” É isso que eles falam na conclusão! Eles usam isso como argumento.

Dr. Souto: Sim, o estudo sobre macarrão não encontrou nenhum estudo sobre macarrão!

Rodrigo Polesso: Exatamente, então já tirou aí. E pior, seguindo na conclusão eles falam que o que eles encontraram foi que macarrão em um contexto de hábitos alimentares de baixo índice glicêmico (ou seja, low carb) foi favorável ao emagrecimento. Então a própria revisão que eles usaram para demonizar low carb… Acredite, eles demonizam, inclusive com esta palavra, a filosofia low carb nesta matéria, promovendo o macarrão como uma coisa que emagrece. E o próprio estudo que eles usam de argumento para dizer que o macarrão emagrece é um estudo que diz que não foi encontrado um estudo de macarrão e é o mesmo estudo que diz que o macarrão quando incluso em um contexto de baixo índice glicêmico, que basicamente é digamos o contexto low carb, aí nesse caso pode ser que seja ok para emagrecimento. Então, olha só, só por isso o autor desse artigo deveria ser investigado e severamente punido, na minha opinião, por espalhar mentira. Mentira, mentira em grandes mídias o que irá invariavelmente prejudicar a saúde das pessoas. Porque ele diz aqui que macarrão emagrece e tem que ter. Como ele fala: “Sim, pode e deve.” É como se fosse uma prescrição no próprio título da matéria. Mas para fechar, eles vão ainda mais além no nível do ridículo. Eles falam o seguinte: “Ao contrário do que se imagina, a ingestão de batata não dificulta na perda de peso. Amidos provém a entrada lenta dos nutrientes na circulação, estimulando a saciedade.” Explica quem? A médica Maria Elizabeth Rossi da Silva que é chefe da unidade do que? De diabetes do serviço de endocrinologia e metabologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo, da USP. Segundo ela há carboidratos e carboidratos, “os ultraprocessados são, eles sim os vilões do regime.” Continuando a matéria, portanto, os vencedores na luta contra a balança, dr. Souto, são as batatas, o pão e o macarrão! Porque esses não são ultraprocessados, então está ótimo. O que dizer disso, dr. Souto? Eu não sei.

Dr. Souto: Nossa, o que dizer?

Rodrigo Polesso: Como manter a compostura?

Dr. Souto: Vamos manter a compostura. A gente tenta não xingar ninguém, vamos não personalizar. Eu vou começar pelo fim, a batata e a glicose no sangue. O índice glicêmico da batata cozida é aproximadamente 100. 100 é o mesmo índice glicêmico, padronizado, enfim, de xarope de glicose puro. Então quando se testa o índice glicêmico das coisas, você está comparando como que determinado alimento se comporta quando comparado à glicose pura na forma de um xarope líquido. A batata tem o mesmo índice glicêmico da glicose pura. Então, a afirmação de que a batata por ser amido eleva a glicemia de forma lenta é completamente equivocada. Existem coisas que são questão de opinião. Essa não é uma delas.

Rodrigo Polesso: É um fato.

Dr. Souto: Assim, opinião é por exemplo, eu acho uma determinada pintura bonita, você acha feia. Eu acho um determinado alimento gostoso, você acha ruim.

Rodrigo Polesso: Subjetivo.

Dr. Souto: Esses dias a gente almoçou junto, não é, Rodrigo? E eu descobri que você não gosta de vinagre. Eu gosto de vinagre. Então, assim…

Rodrigo Polesso: Meus pêsames!

Dr. Souto: Eu tenho opinião de que vinagre é uma coisa saborosa.

Rodrigo Polesso: Uma opinião equivocada, mas sim, você tem uma.

Dr. Souto: Isso pode ser debatido.

Rodrigo Polesso: Claro, claro!

Dr. Souto: Agora, que a glicose é elevada tanto quanto se eu tomasse um xarope de glicose pura ou comendo batata cozida, isso não é uma questão de opinião. Isso está documentado e se você quiser você pode, inclusive, fazer uma experiência em casa com batatas cozidas e um glucosímetro picando o dedinho em jejum uma hora e duas horas depois.

Rodrigo Polesso: E dizendo também… só para confirmar o outro fato, dizendo que macarrão não eleva o açúcar do sangue, é outro desse.

Dr. Souto: Estaria correto dizer que ele eleva menos do que o pão, por exemplo. Porque efetivamente o índice glicêmico do macarrão é mais baixo do que o do pão. Mas ele eleva a glicose. Ele eleva quanto? Cerca de 50% do que elevaria o consumo de glicose pura. Mas isso não é nada, isso é 50%. Esse estudo… Porque na realidade o que o sujeito fez nessa reportagem da Veja foi a demonização completa da low carb. Como não tinha motivo, porque, primeiro o estudo da Organização Mundial da Saúde não falava sobre low carb.

Rodrigo Polesso: Exatamente.

Dr. Souto: O estudo da Organização Mundial da Saúde falava sobre fibras serem boas para a saúde. Isso tem relevância 0 para low carb. Porque, afinal, se você realmente acha, interpreta a literatura de forma que fibras sejam uma coisa importante, então low carb deveria ser a sua primeira opção talvez.

Rodrigo Polesso: Exatamente!

Dr. Souto: Na medida em que se consome mais fibras na alimentação low carb, que é uma alimentação menos processada. Esses dias a gente postou isso no site da Associação Brasileira Low Carb e alguém perguntou assim: dê exemplos de alimentos com fibras na low carb. E aí eu botei no Google: nomes de saladas. Tinha uma lista ali e eu copiei e colei. Em ordem alfabética começava, se não me engano, com acelga. Enfim, todo tipo de vegetal…

Rodrigo Polesso: Legume, verdura.

Dr. Souto: Todo tipo de legume e verdura. Então, repito: o estudo da Organização Mundial da Saúde (que nada mais é do que uma revisão, não é um estudo original, não é um ensaio clínico randomizado) ele estava se preocupando com fibras e não com low carb, esse é o primeiro ponto. E aí o sujeito amalgamou esse assunto (que já não dizia respeito à low carb) a um outro estudo que foi publicado em 2018 e que nós já cobrimos aqui na Tribo Forte. Eu puxei na tela aqui, foi o Tribo Forte de número 109 para quem quiser ouvir de novo. O título era: macarrão para emagrecimento?

Rodrigo Polesso: A gente já falou disso.

Dr. Souto: Já falamos! É requentado! E lembra, Rodrigo, quem patrocinava esse estudo aí?

Rodrigo Polesso: Era a indústria do grão, não era?

Dr. Souto: Era a Barilla!

Rodrigo Polesso: Barilla! Exatamente! O maior fabricante de macarrão do mundo!

Dr. Souto: O maior fabricante de macarrão do mundo! Então é um troço descarado. É exatamente como você falou agora na introdução, nesse estudo que é uma revisão sistemática  sobre macarrão e emagrecimento, eles não encontraram nenhum estudo que falasse sobre macarrão e emagrecimento!

Rodrigo Polesso: Que engraçado!

Dr. Souto: Então eles pegaram e compararam dietas de alto índice glicêmico com dietas de baixo índice glicêmico. Então era um grupo no qual o pão, a batata… A mesma batata que na mesma reportagem da Veja eles dizem que não afeta a glicose, nesse estudo que fala da massa eles tiraram a batata, porque a batata tinha um índice glicêmico alto demais. Então eles pegaram e fizeram dietas com iguais quantidades de carboidratos, mas com índice glicêmico mais baixo. Então, sim, se você estiver comparando o macarrão com o pão, o índice glicêmico do macarrão é menor. Mas nesse estudo lá de 2018, repito, quem quiser escute o Tribo Forte 109, porque foi muito divertido. Eu me lembro, foi um episódio bem divertido. Se você estivesse… Não tem um braço low carb de comparação. Está certo? Não é assim: se você come low carb, você vai emagrecer, mas se você comer macarrão você vai emagrecer mais. Não. É se você come churros, sonho, pizza e pão e ao invés disso você trocar para frutas, macarrão e batata-doce, aí você talvez perca um pouco mais de peso nessa segunda opção. Porque não existe uma opção realmente eficaz sendo comparada nesse estudo. Para ficar bem claro vou repetir com outras palavras, pessoal. Nesta reportagem na revista Veja não foi citado um único estudo que aborde dieta low carb. Esse estudo da Veja falou que fibras são importantes, portanto low carb é ruim. O que é uma bobagem, porque, por exemplo, se vocês olharem a postagem da ABLC sobre o assunto, que foi postada no mesmo dia que saiu essa reportagem da Veja, vocês vão ver que um cardápio low carb típico chega a ter mais de 40 gramas de fibra por dia. O que é muito mais do que os 25 a 29 gramas que a Organização Mundial da Saúde diz que é o saudável. Então, quer dizer, quer comer fibra? Faça low carb. E a segunda coisa é que esse estudo do macarrão primeiro não encontrou… É um estudo sobre macarrão que não encontrou nenhum estudo sobre macarrão. É uma metanálise sobre macarrão e emagrecimento. Aí o cara botou: macarrão e emagrecimento no PubMed, não encontrou nada, porque macarrão não emagrece, não é? Aí ele disse: Olha, no contexto de dietas de baixo índice glicêmico, das quais o macarrão pode fazer parte, uma dieta de baixo índice glicêmico é melhor do que uma dieta de alto índice glicêmico, no que eu e o Rodrigo Polesso concordamos. Só que a dieta de mais baixo índice glicêmico de todas é aquela que se chama low carb.

Rodrigo Polesso: É aquela que não tem macarrão.

Dr. Souto: Que não tem macarrão e que não foi testada em nenhum dos estudos citados nessa lamentável reportagem da revista Veja.

Rodrigo Polesso: Eu não duvido que tenha uma Barilla da vida por trás de uma reportagem como essa.

Dr. Souto: Pelo menos a Barilla estava por trás do estudo citado. Agora… Realmente é uma reportagem tão ruim, tão mal feita, que a gente chega… Eu não sou muito de teoria de conspiração, mas eu estou pronto a aceitar que foi comprada.

Rodrigo Polesso: Dá para aceitar. Antes que o pessoal… tem gente que sempre fala: “Ah, vocês falam muita coisa errada, porque eu emagreci 10 kg comendo macarrão.” Sim, pessoal, tem como emagrecer comendo chocolate, donut, desde que você coma pouco. E lembra que emagrecimento não quer dizer saúde. Duas coisas para pensar para quem está achando isso. Bom, vamos lá! Tem um outro aqui… Foi coincidência, mas na Veja também. É outra asneira sem tamanho. Eu acho que eles escolhem os piores estudos que existem e ainda conseguem distorcer mais ainda as conclusões deles. Já vou falar. Antes disso um parabéns especial para o Bruno, que mandou o caso de sucesso dele, a foto do antes e depois. Ele perdeu 24,5 kg e ele falou: “Queria agradecer por terem mudado a minha vida.” Bom, é ele que mudou e eu tenho certeza de que não foi seguindo essas sugestões idiotas aí que a gente acabou de falar, mas sim, seguindo uma coisa baseada em evidência. O Bruno seguiu o Programa Código Emagrecer de Vez, que você pode ter acesso entrando em CódigoEmagrecerDeVez.com.br, seguindo hábitos que são baseados em ensaios clínicos e comprovados. Enfim, enquanto esse pessoal continua brigando, a indústria continua brigando e se disfarçando atrás de artigos que tentam ser sérios, as pessoas que resolvem tomar as rédeas por si próprias conseguem resultados incríveis e acabam motivando o resto das pessoas, sendo o exemplo da mudança que querem ver. Bom, vamos lá! Ainda falando do péssimo jornalismo, infelizmente, a gente continua com mais uma pérola publicada pela Veja. Se segure na cadeira! O título da matéria é o seguinte: Acredite, comer a sobremesa antes da refeição ajuda na dieta, diz estudo. O subtítulo é o seguinte: a inversão permite maior consciência das calorias adicionadas ao prato principal, além de ajudar a controlar compulsões por açúcar. Viu que legal? Se você quer parar de fumar, você fuma bastante de manhã cedo, ajuda a controlar a compulsão pelo cigarro! E olha só, olha o que eles falam, pessoal: “A sobremesa é considerada uma das vilãs da dieta, especialmente as mais calóricas, como bolos e tortas doces. No entanto, pesquisadores descobriram que escolher uma sobremesa calórica antes da refeição principal pode ser uma estratégia para garantir uma alimentação saudável.” Eles falam assim: “Como? Simples, escolher um alimento calórico logo no início da refeição influencia na escolha de um prato principal com opções mais saudáveis. Ou seja, as pessoas estão mais propensas a controlarem melhor as calorias do prato principal quando sabem que o número de calorias da sobremesa é alto o suficiente para prejudicar a dieta e consequentemente a saúde.”. Dr. Souto, você consegue imaginar alguém escrevendo isso e tentando fazer sentido dessa asneira toda? Eu não sei o pessoal entendeu. Eles falam que sobremesa faz mal…

Dr. Souto: Só pode ser uma pegadinha, Rodrigo.

Rodrigo Polesso: É engraçado que eles começam dizendo… “Todo mundo sabe que sobremesa é muito ruim para a saúde e para a dieta. Por isso a gente sugere que você coma a sobremesa calórica no começo da refeição.”

Dr. Souto: Eu tinha visto a manchete disso, mas eu não li o texto. Eles citam algum ensaio clínico, alguma coisa assim?

Rodrigo Polesso: Eles citam… Na verdade, eu ia te passar… Eles citam um de um jornal bizarro que eu nunca ouvi falar na vida. É um estudo bizarro que eles fizeram três experimentos que a própria conclusão do estudo você não entende o que está certo e o que está errado. Eu tinha te passar para você dar uma poetizada aí. Mas enfim, um nível de evidência fraquíssimo, fraquíssimo. E basicamente a ideia deles é a seguinte. Quando as pessoas comem uma coisa que elas não deveriam… Eles não falam em sobremesa. Eles não falam em sobremesa. Eles falam numa comida saudável mais calórica como primeira opção. Daí as pessoas tendem a escolher opções menos calóricas na sequência. Essa da sobremesa foi da Veja querer ser sensacionalista. Mas a ideia é de você pegar uma coisa bem calórica no começo… Aí eu vou pegar depois uma salada para acompanhar. E se você pega, por exemplo, uma salada no começo, você se acha no direito, talvez, de comer uma coisa mais calórica depois. Psicologia. Não foi um estudo nutricional. E foi mal conduzido, mas essa foi a ideia.

Dr. Souto: Obviamente, se eu for levar ao pé da letra essa história, o melhor seria o seguinte. Então, vou comer exclusivamente a sobremesa. Com isso eu asseguro que eu não vou comer mais nada depois, portanto vou estar comendo menos calorias. Eu como só a sobremesa. Ou, veja bem, vamos tentar fazer da forma como eles disseram. Comer a sobremesa porque daí vou comer menos calorias do que vou comer depois. Mas o que eu vou comer depois é a única parte saudável e nutritiva da minha alimentação. Então, eu estou assegurando que eu vou comer menos do que eu devia comendo mais do que eu não devia antes.

Rodrigo Polesso: Sim. E estão assumindo também que a sobremesa é uma coisa que acontece depois de toda refeição de todo brasileiro, pelo jeito… Que todo brasileiro come sobremesa.

Dr. Souto: Sim. Exato. É bizarro em tantos níveis… Mas serve para a gente salientar que é a mesma publicação, é a mesma revista que publicou o assunto de que quanto mais carboidrato você deve comer, melhor para você emagrecer. Então, parece haver uma linha editorial de fake news nutricional.

Rodrigo Polesso: De ir contra a questão do low carb apesar de nesse eles não terem criticado.

Dr. Souto: Exato. Eu acho que de repente é algum… Entende… A gente olha essa coisa que parece uma realidade paralela… Parece uma coisa bizarra… Fica tentando entender o que está por trás. Pode ser simplesmente a busca de cliques pelo bizarro. Pode, né? Pode ser também um editor da publicação que está de saco cheio porque low carb está muito em voga. Então, absolutamente qualquer coisa que passa pela mesa dele que fale mal de low carb… Dos jornalistas que escrevam texto que fale mal contra low carb… Pode publicar… Pode botar que eu estou achando bom. Um estudo fala de um relatório que não trata sobre low carb para dizer que low carb é ruim e trata de um outro que não fala sobre macarrão para dizer que macarrão é bom. E aí depois uma notícia que assim… Podia ser naquele jornal O Sensacionalista. Podia ser lá. Assim, “Bote a sobremesa primeiro para comer menos coisas saudáveis depois.” Então, é um nível de jornalismo tão baixo, tão rasteiro que assim… Ou é um caça cliques que é meio lamentável, meio triste. Ou é isso que eu falei. É alguém que está de saco cheio, está mordido porque sei lá… Não aguenta mais falar… Ouvir falar sobre essa tal de low carb. Então, tudo o que fala mal, nós vamos botar.

Rodrigo Polesso: O engraçado é que eles começam a manchete dizendo… “Acredite”. Daí eles passam o fato, como se fosse um fato. A imagem da matéria é um pedaço de bolo de chocolate delicioso com uma calda de caramelo caindo em cima, sendo que o estudo nem falou sobre sobremesa.

Dr. Souto: E a propósito, já que a gente está aqui também para falar um pouco sobre ciência séria, existe toda uma linha de pesquisa. Eu estava até estudando isso esses dias. A gente já comentou, eu acredito, vários podcasts atrás sobre isso, mas eu estava estudando mais a fundo… Que mostra que se for para consumir uma quantidade um pouco maior de carboidratos na dieta, que a ordem é importante. Mas aí a ordem é o oposto do que eles estão escrevendo aí. A pessoa deveria consumir a proteína, a gordura primeiro e deixar o carboidrato para o final. E mesmo que seja uma diferença de 10 a 15 minutos apenas… De comer a carne e a salada no início e deixar para comer, digamos, uma batata doce no fim… Isso diminui em até 50% a área sobre a curva da elevação da glicose e pode elevar em até 70% a área sobre a curva sobre a elevação da insulina. Então, seria uma forma… Imaginamos um paciente pré-diabético. Obviamente, o mais racional seria ele não comer uma quantidade significativa de carboidratos porque ele não vai ter nenhuma área sobre a curva da elevação da glicose. Mas digamos que o sujeito diga assim… Bata o pé… Não, eu vou comer! Se vai comer, é melhor que o carboidrato venha no final. Então, vamos dizer… Se a gente leva como piada de mal gosto essa noticiazinha da Veja… É uma piada ruim. E se a gente leva a sério, ela está prejudicando a saúde das pessoas, porque ela está dizendo o contrário do ponto de vista científico e nutricional. Eles deveriam dizer.

Rodrigo Polesso: Ou seja, se tiver que ter sobremesa, o melhor lugar dela é no final da refeição mesmo.

Dr. Souto: Exatamente. Por incrível que pareça, mais uma vez a tradição… Lembra que a gente já falou isso num podcast algumas vezes? Se ao invés de seguir diretrizes nutricionais, a gente seguisse a tradição… Tradição, sabe aquela coisa aprendeu com os avós, bisavós, a gente estaria melhor. A tradição manda comer a sobremesa depois. E a tradição está certa. Não precisa comer sobremesa, mas se for comer, tem que ser depois.

Rodrigo Polesso: Tem que ser depois. É isso aí. Mais um exemplo, pessoal. A outra bizarrice, então… Para gente ir para a última parte desse podcast… Carne de laboratório. A gente fala há muito tempo sobre isso, né, pessoal? Carne de laboratório. A que ponto nós chegamos. Somos, nós, seres humanos, sempre achando que nós somos mais espertos do que a infinita sabedoria da natureza que evoluiu por bilhões de anos. Bom… Novo artigo do jornal Independence diz que a carne de laboratório pode, ao contrário do que se imagina, ser pior para o meio ambiente do que a carne de gado, isso principalmente pelo aumento da liberação de CO2, dióxido de carbono, na atmosfera, como subproduto do processo de produção dessa carne. Ela fala o seguinte… Que interessante… Enquanto o metano que vem do gado… Que tem aquele terrível documentário Cowspiracy que coloca um monte de informação disfarçada de fato… Que na verdade é uma agenda vegana… Eles falam que as vacas são as culpadas, coitadinhas. Peido de vaca é o culpado do aquecimento global. Mas enfim… O que vem da criação de gado é o metano. E o metano fica a atmosfera, segundo esse artigo por em torno de 12 anos, enquanto o CO2 que seria o subproduto da produção da carne de laboratório, fica por milênios na atmosfera. Por isso que ele demora mais para se equilibrar. A gente está acumulando CO2… Acumulando, acumulando… Ou seja, nessa perspectiva, carne de laboratório… Nessa perspectiva seria pior do que a infinita sabedoria da natureza. Mas a pergunta não é nessa, né, Dr. Souto? Eu acho o que mais que não seria adequado se a gente começar a criar carne de laboratório.

Dr. Souto: Rodrigo, aqueles que nos escutam que trabalham em laboratório… Que já fizeram cultura de células… Eu já trabalhei com cultura de células. Acho que muita gente aí deve ser biólogo e tal… Pesquisador… Já trabalhou com cultura de células alguma vez. É extremamente complexo e difícil cultivar células em laboratório. Bactérias é um pouco mais fácil. Agora células de mamíferos não é fácil. E a gente precisa um meio de cultura todo especial que tem que ter a quantidade absolutamente correta de glicose, de eletrólitos, de potássio, etc. Tudo isso aí é insumo da produção dessa carne de laboratório. Tudo isso tem que ser purificado e produzido em indústrias utilizando combustíveis fósseis para produzir. Entendeu? Não é assim que nem fazer uma ração e dar para o bicho comer. Ou ainda largar o bicho na grama e deixar ele pastar. Tem que produzir toneladas e toneladas desses insumos industriais que são produzidos por filtragem, ultrafiltragem. Esses filtros geram um monte de lixo. Vai botar isso aí aonde? Então, o nível de bobagem de sequer cogitar… Sequer cogitar fazer a comparação entre o que que é mais ecológico… Largar a vaca pastando ou fazer carne de laboratório… É um negócio espantoso. Imagina assim… Os tonéis com milhares e milhares de litros de meios de cultura e células de laboratório crescendo ali dentro… E depois aquele subproduto… E eflúvio, o meio de cultura já usado… Vai para onde? Como que recicla isso? Onde é que bota? Porque a vaca é o seguinte… Tudo o que a vaca produz faz parte de um ciclo biológico que sempre existiu na Terra muito antes do ser humano estar aí que não dá problema nenhum. A vaca libera CO2, ok… E o CO2 da vaca veio da onde, pessoal? Veio do capim. E o CO2 do capim veio da onde, pessoal? Da vaca.

Rodrigo Polesso: É reciclado. Perfeito o ciclo.

Dr. Souto: “A vaca usa muita água para fazer carne.” A vaca da água vem da onde, pessoal? Da chuva e do capim. Ela sai para onde? Vapor da água que sai da vaca e xixi… Que vai para onde? Para o capim. Então, assim… A vaca não polui o ambiente. A vaca fertiliza o solo. “Mas tem as operações americanas de confinamento.” Então sejam contra isso, não contra a vaca. É isso que é antinatural. Vamos dizer… Existe uma forma natural de criar uma vaca. Qual é a forma natural de criar uma carne de laboratório? E de que forma uma carne de laboratório não seria poluente? E tem mais um pequeno detalhe. Das milhares de pessoas que estão nos ouvindo aí, se alguém souber a resposta para a pergunta que eu vou colocar agora, por favor, mande um email para o podcast. A pergunta é: alguém sabe uma forma de criar células de mamíferos em cultura de células, em laboratório, sem utilizar soro fetal bovino?

Rodrigo Polesso: Boa.

Dr. Souto: Quem já trabalhou com cultura de células sabe o que eu estou dizendo. Bactéria a gente larga num troço com açúcar e o bicho prolifera. Mas se eu pegar a célula… Se eu fizer uma biópsia de músculo de uma vaca para criar um bife de laboratório, aquilo não cresce em meio de cultura se não houver fatores de crescimento. E hoje, que eu saiba, a forma de fazer isso é um troço que se compra pronto chamado FBS, que é soro fetal bovino. Ou seja, é o soro retirado de fetos de vaca que é rico em fatores de crescimento, porque afinal o ser é um mamífero que está em crescimento. Ele é um feto, então ele é extremamente rico em fatores de crescimento.  E não é um fator de crescimento só. É um pupurri, é um coquetel de fatores de crescimento em proporções adequadas que estão presentes dentro. Então, assim… Saiba que esse seu hambúrguer de laboratório está sendo feito com o soro extraído de fetos mortos de vacas.

Rodrigo Polesso: Não é vegano.

Dr. Souto: Não é vegano. O pessoal é muito ingênuo. É basicamente a atitude do avestruz transformada no faz de conta que não estou matando nenhum animal. Então, eu como tofu, portanto nenhum animal morreu. Nunca vi um campo ser lavrado. Ou a quantidade de floresta que foi derrubada para lavrar aquele negócio. Então, a minha carne é de laboratório. Então, foram utilizados só insumos de origem vegetal. Aliás, eu tenho uma dúvida também. Petróleo não é origem vegetal. Petróleo é de origem animal.

Rodrigo Polesso: Com certeza.

Dr. Souto: Porque assim… Não tem carne de laboratório sem petróleo para caramba. E o petróleo esse é que lança carbono novo na atmosfera, porque o carbono da vaca, repito, não é novo. O carbono da vaca veio do capim. E o carbono do capim veio da vaca. E isso é assim desde que o mundo é mundo. Mas enfim… Eu acho que a gente tem que continuar aqui… Repetindo essas coisas porque vai sobrar um pequeno grupo de pessoas que vão… Eu me lembro às vezes daquela comparação. Durante a idade média determinados monges nos monastérios conseguiram manter o conhecimento vivo durante a idade das trevas… Que durou mil anos. Então, assim… Tomara que não dure mil anos, mas nós estamos entrando numa idade das trevas… Na qual comer carne vai ser considerado uma coisa de trogloditas. Todo mundo comendo tofu feito com petróleo e com a morte de incontáveis animais nas lavouras… Vai achar que nenhum animal foi machucado para produzir o seu tofu. E todo mundo vai achar que vaca polui, mas que transportar o avocado de outro continente de avião é ecológico.

Rodrigo Polesso: É. Eu não me preocupo tanto com isso apesar dessa idade das trevas poder de fato acontecer porque invariavelmente vai acontecer o que sempre aconteceu: seleção natural. O pessoal que acabar caindo nesse conto de fada vai ser eliminado naturalmente pela evolução porque os outros vão ser mais fortes. Isso que você falou do tofu é muito bom, porque quem já viu uma colheitadeira passando por um campo de monocultura, pode imaginar o tipo de coisa que aquilo dali mói. Isso aí mói coelho, mói inseto, mói todo tipo de coisa viva que você imagina, inclusive seu tofuzinho… O grão de soja que está saindo no meio. Se brincar deve até ter pedaço de coelho no meio da sua farinha de soja.

Dr. Souto: Tem especificações técnicas inclusive de quantos pelos… Seja de rato ou perna de barata pode ter no meio da farinha. Porque assim… Esses bichos estavam por lá. E claro, a coisa é refinada, porque se não fosse refinada… Quanto mais integral é mais saudável porque tem mais pedaço de bicho morto.

Rodrigo Polesso: Exatamente. Resumindo… É uma ingenuidade e falta de compreensão de como funciona o planeta Terra, basicamente. Olha só… Esse episódio ficou interessante, pessoal. A gente vai comentar um pouco sobre o que a gente degustou na última refeição aqui. Dr. Souto, eu até me questiono se você teve a oportunidade de degustar algum bife feito em laboratório ou talvez outra coisa.

Dr. Souto: Não… Não tinha feito em laboratório… Não tinha. Hoje tinha um tomate recheado com guisado. Tinha peixe. Estava bem gostoso. Tinha uma saladinha. Eu gosto muito de tomate cereja. Para quem diz que em low carb a gente não come fruta, tomate cereja é fruta. Eu comi vários hoje.

Rodrigo Polesso: Vários, né? Uma refeição leve, tranquila. Maravilha. Eu comi um steak. O steak não era de laboratório. Minha mãe fez ervilhas… Essas coisas complicadas eu só como quando estou aqui na casa dos meus pais. Eu tento simplificar muito quando estou sozinho. Mas enfim. Ficou mais bonito para a fotografia o prato, pelo menos, com esse verdinho das ervilhas.

Dr. Souto: Fica blogueiro, né?

Rodrigo Polesso: Fica blogueiro. Um queijinho também, porque um queijinho é bom demais da conta. Então é isso aí, pessoal. Macarrão não emagrece, tá? Só para lembrar. E não caia no conto do vigário porque o vigário está em todo lugar, pessoal. Maravilha. Olha só… Se você tem interesse em ver as palestras do evento da Tribo Forte… Você quer ver receitas… Quer ver como você pode expandir seu universo culinário nessa filosofia da alimentação forte, low carb e etc… Você pode entrar na Tribo Forte aí em TriboForte.com.br. Veja o que te espera lá dentro. Suporte essa causa e tenha acesso a tudo isso. Siga a gente no Instagram também. Me siga lá no Instagram, é @rodrigopolesso. Siga o Dr. Souto, é @jcsouto. E ABLC, @ablc.org.br. Você tem recursos demais para seguir. Não tem desculpa para continuar sendo enganado. Não tem desculpa para continuar… Para não ser o melhor que você pode ser. Essa é a questão. A gente está aqui trabalhando para fazer com que isso aconteça e semana que vem a gente está de novo com mais um episódio da Tribo Forte. Então, deixo aí meu abraço para todo mundo e agente se fala semana que vem. Dr. Souto, obrigado e a gente se fala também.

Dr. Souto: Até lá. Um abraço e boa semana!

2019-03-12T07:30:59+00:00março 12th, 2019|Podcast|0 Comments

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