TRIBO FORTE #140 – LOW CARB, INSÔNIA, GORDURA E GÊMEOS

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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Neste Podcast:

  • Low carb e sono,
  • Revisão brazuca sobre gorduras,
  • Exercício em gêmeos idênticos…

Escute e passe adiante!!🙂

Saúde é importante!

OBS: O podcast está disponível no iTunes, no Spotify e também no emagrecerdevez.com e triboforte.com.br

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🙂

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Caso de Sucesso do Dia

sucesso

 

 

Referências

Artigo no Site Lifesum Sobre Insônia

Vídeo Rodrigo Polesso Sobre “Como Dormir Melhor”

Estudo de Caso Sobre Exercícios em Gêmeos Idênticos

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá! Bem-vindo a mais episódio da Tribo Forte. O podcast oficial da Tribo Forte. A sua dose semanal de saúde, estilo de vida saudável baseado em evidência. Esse é o podcast de número 140. Um episódio redondo. Hoje a gente vai falar sobre low carb e sono. Tem uma revisão brazuca sobre gorduras e também exercício em gêmeos idênticos. Uns assuntos diferentes para a gente tratar nesse papo nosso de hoje aqui. Antes de começar, deixe eu dar as boas-vindas ao Dr. Souto. Tudo bem, doutor? Como está por aí?

Dr. Souto: Tudo bem, Rodrigo. Bom dia. Hoje é feriado por aqui. Bem tranquilo.

Rodrigo Polesso: Bem tranquilo. Ótimo. Ótimo dia para compartilhar conhecimento com a galera. Vamos começar, então, com uma pergunta, na verdade, que eu tinha anotado a um bom tempo aqui. Se não me engano, talvez você que me encaminhou há um tempo atrás. Eu estava guardando para uma pauta futura. É uma pergunta que veio a calhar de ler hoje. Ela veio do Luiz Ferreira. É um assunto que eu não lembro de ter tratado, pelo menos não em detalhes, aqui no podcast ainda. Ele fala o seguinte. “Eu já fiz low carb há alguns anos e comecei a ter insônia. Essa foi uma das razões de ir desistindo. Entretanto, engordei. Há 2 meses, voltei à low carb e perdi peso, mas a insonia piorou. Na noite passada eu comi algumas bolachas e Nutella e tive uma melhor noite de sono.” Então, vamos lá. Low carb e sono. Insônia. A gente sabe que é uma coisa que muitas pessoas comentam a respeito disso. Mas talvez não muitas pessoas entendam às vezes os mecanismos que podem ajudar nesse sentido. Dr. Souto, você que atende as pessoas diariamente, já ouviu esse tipo de coisa? O que você costuma dizer sobre isso?

Dr. Souto: Já, já ouvi sim, Rodrigo. Primeiro, é o seguinte. Antes da gente entrar em mecanismos. Muitos desses mecanismos são suposições. A gente não pode ter certeza se é isso ou não. Mas a pessoa não precisa viver num mundo onde ela faz ou low carb ou Nutella com bolacha.

Rodrigo Polesso: Boa. Isso a gente já falou.

Dr. Souto: Entre essas duas situações, existe, por exemplo, a possibilidade de comer uma fruta.

Rodrigo Polesso: Exatamente.

Dr. Souto: Existe a possibilidade da pessoa comer um copo de leite, que tem um pouquinho de carboidrato. Então, não há necessidade de ou fazer low carb com sal do Himalaia e carnes orgânicas ou então bolacha com Nutella. Existe um meio termo. Mas voltando a essa questão. A gente ouve isso. Uma das situações que me sugerem que o problema não é exatamente a questão de ser low carb ou não, é o fato de que a gente vê também esse mesmo tipo de queixa no jejum prolongado.

Rodrigo Polesso: Com certeza.

Dr. Souto: Então, não é raro que pessoas que tentam fazer jejuns mais prolongados, jejum de 24 horas ou mais, tenham dificuldade no sono ou um sono curto, ou acordem cedo de madrugada. Isso poderia se dever a várias coisas. Tem várias teorias que circulam por aí. Mas a que me apela mais é a hipótese de que simplesmente seja… Olha só… Existem hormônios com funções antagônicas no que diz respeito à glicemia. A insulina é o principal hormônio hipoglicemiante. É o principal hormônio que o corpo usa para baixar a glicose. Mas existe um conjunto de outros hormônios que têm uma ação contrária a da insulina que ajudam a glicose a subir. E alguns deles são hormônios envolvidos na resposta do estresse. É o caso do cortisol e é o caso das catecolaminas, da adrenalina e da noradrenalina. Então, alguém poderia argumentar que durante à noite, quando a pessoa está já numa dieta de baixo carboidrato, e agora num intervalo de jejum, que é o jejum noturno… Pode haver uma queda da glicose. Isso não chega a caracterizar uma hipoglicemia clínica, mas é o suficiente para produzir um pouco de adrenalina e cortisol e acordar o indivíduo. Se isso é uma coisa que vai persistir sempre, eu acho que não. A maioria das pessoas que se adapta, que faz por tempo suficiente, o corpo de adapta… Essa resposta. Ela tende a desaparecer. Mas, eu me lembro… Se não me engano foi num livro que li há muitos anos atrás, que é “The New Atkins A The New You”… É um livro escrito pelo Eric Westman, pelo Phinney e pelo Volek. São pessoas grandes na pesquisa em low carb. E eles escreveram como se fosse uma atualização científica da dieta Atkins para os dias de hoje. Esse livro eu acho que não está traduzido ainda, mas para quem quiser ir no original, é esse o título. Acho que foi lá que eu li uma sugestão deles de que se a pessoa está tendo insônia, que consuma uma colherzinha de chá de mel, por exemplo, antes de dormir, ou então um pouco de leite. A ideia seria o quê? Que esse pouquinho de carboidrato evitasse uma eventual descarga drenégica, ou seja, liberação de adrenalina ali, que deixasse a pessoa mais alerta do que ela deveria estar. É um negócio que eu já sugeri para alguns pacientes. Parece uma coisa tão simples e veja bem… É bem diferente uma colherzinha de mel de comer um monte de bolacha com Nutella. Tranquilamente poderia ser uma fruta. Poderia ser um kiwi. Claro, se a pessoa está fazendo uma cetose nutricional por um motivo de doença, ela deverá procurar seu médico, seu profissional de saúde, para te orientar. Eu diria, inclusive, que uma pessoa que precisa de uma dieta cetogênica, para controlar epilepsia, por exemplo… Essa pessoa não pode consumir uma colherzinha de mel porque ela vai tirar da cetose e isso pode produzir uma convulsão. Veja bem, uma pessoa epiléptica, que tem 5 convulsões por dia… Que passa a fazer uma dieta cetogênica e deixa de ter convulsões… É melhor essa pessoa usar uma medicação para ajudar a dormir, prescrita pelo seu médico, do que sair da cetose só para dormir melhor. Agora, para as pessoas que fazem uma low carb porque estão querendo perder peso, ou porque se sentem melhor em low carb… Se esse é o único problema, come um kiwi.

Rodrigo Polesso: E tende a acontecer quando a low carb é bem low carb. Em algumas pessoas, não em todas as pessoas… E tem um fator de adaptação também, que não é claro, eu acho. Talvez algumas pessoas possam enfrentar esse problema no começo e depois o corpo pode começar a se adaptar. É também outro fator para se manter em mente. Se você talvez não dê o tempo suficiente para essa adaptação… Com uma colherzinha de mel no começo… Talvez você previa que ela aconteça. É uma hipótese também.

Dr. Souto: E aí a pessoa… “Tá, mas mel pode?” Pessoal, olha só. Low carb não é no carb. Uma dieta cetogênica, uma dieta bem low carb, tem menos de 20 gramas de carboidrato por dia. Uma colherzinha de chá rasa vai ter o quê? 3 gramas? E aquilo nem é 100% açúcar, é 80% açúcar. Então, é uma quantidade pequena. Da mesma forma, se uma pessoa vai comer uma fruta de baixo teor de açúcar… Mas também não precisa comer duas bananas maduras já com pontos pretos. Eu não estou dizendo para comer 50 gramas de carboidrato. Eu estou querendo dizer assim… Come uma frutinha pequena. Meio copo de leite, vai ter 5 gramas de carboidrato. 200 ml de leite tem 10 gramas de carboidrato. As pessoas às vezes tem que adaptar. É interessante… É bom deixar consignado que as pessoas são diferentes. Talvez para cada pessoa que eu já ouvi dizer que houve alguma dificuldade na adaptação no que diz respeito a sono, tem mais outra que me diz o contrário. “Olha, nunca dormi tão bem. Nunca me senti tão bem. Antes eu tinha dor de cabeça, insônia. Agora eu durmo como um bebê.” Então, as pessoas respondem de forma diferente às intervenções.

Rodrigo Polesso: Com certeza. E a pessoa que quer, tem que se ajudar a dormir melhor. Tem várias coisas que a gente costuma fazer na sociedade moderna hoje em dia que acabam atrapalhando o sono. Então, tem várias coisas que você pode se ajudar de qualquer forma. Se você já está dormindo bem ou não, essas coisas são legais de se manter em mente. Eu gravei um vídeo “como dormir melhor”. Você pode digitar no YouTube “como dormir melhor Emagrecer de Vez”. Tem um vídeo que eu fiz lá mostrando estudo, inclusive, de como algumas coisas como a luz azul pode impactar a sua melatonina à noite também. É só digitar no YouTube “como dormir melhor Emagrecer de Vez”. Beleza. Olha só que legal. Outra coisa que eu tinha anotado aqui para a gente falar… Sempre que algo notório acontece seja no Brasil ou fora, a gente tenta informar vocês aqui que nos acompanham. Recentemente eu tinha falado de uma pesquisa… Recentemente aqui no podcast a gente tinha falado de uma de uma pesquisa publicada de alguns brasileiros mostrando impactos mais profundos da obesidade. E agora tem outro feito brasileiro legal para trazer. Em setembro desse ano a especialista em nutrição aplicada a atividade física, a Marta Nicole de Albuquerque, me enviou seu trabalho de conclusão de curso na USP com o seguinte tema. “Gorduras. Revisão sobre seu impacto na saúde e na perda de peso.” Eu vou ler uma parte do resumo da tese dela para vocês entenderem aqui, porque é bem legal. “Com publicações a partir do ano 2000, foram encontrados 113 artigos, sendo 43 utilizados nessa tese, totalizando a avaliação de mais de 2 milhões de indivíduos participantes. Os resultados dessa pesquisa demonstram que a intervenção padrão preconizada de redução no consumo alimentar de gordura não refletem maiores ganhos para a saúde ou para a redução de peso. A redução de peso pode ser variável entre intervenções que preconizam redução de carboidratos, de gorduras ou mesmo de valor calórico total. No entanto, o peso por si só torna-secundariamente importante ao se obter melhoras em relação a padrões bioquímicos, hormonais e metabólicos no qual observa-se quase na totalidade não se beneficiam por restrição de gorduras, considerando-se, assim relevante a prática clínica nutricional a adoção de estratégias atualizadas com base em comprovações de causa e efeito objetivando estabelecer bons hábitos alimentares, prevenir o sobrepeso, tratar a obesidade e as comorbidades associadas.” Então, olha que revisão bem bacana da Marta Nicoli de Albuquerque, avaliando as evidências e mostrando mais uma vez que elas não refletem o estado atual das diretrizes e dizendo que tudo vai muito além do peso. Vai também de toda essa questão hormonal, metabólica, que melhora somente com a redução… Da gordura, mais fortemente, enfaticamente nesses estudos também. É bem legal o que o pessoal mandou para a gente. É legal ter um estudo desse, uma revisão dessa assim feita no Brasil também. Acho que ela entrou em contato com você também, Dr. Souto, falando sobre essa questão. Ela nos acompanha desde 2016.

Dr. Souto: Sim, sim. Ela entrou em contato comigo sim. Fiquei devendo para ela, inclusive, de repercutir isso. Talvez por estar muito envolvido com a Associação Brasileira Low Carb, eu acabei não fazendo. É bem legal você estar trazendo aqui, porque a gente tem que disseminar o trabalho das pessoas que estão desafiando os dogmas de dentro da academia. Queria estender meus parabéns para ela, pelo trabalho e pela coragem de levantar isso aí de dentro da estrutura acadêmica. Acho muito legal e muito importante.

Rodrigo Polesso: Com certeza. Se você já acompanha a gente, você sabe que essa questão da gordura é uma das coisas que a gente mais falou até agora. Esse trabalho só vem para corroborar isso aí. Bom… Até um tópico legal, falar de gêmeos em seguida… Mas primeiro vou dar um break para outros parabéns aqui, para a Simone Danbros. Ela mandou para a gente um testemunho. “Feito! Desafio concluído com sucesso.” Desafio são 30 dias só. “Peso: menos 8,1 quilos. Cintura: menos 11 centímetros. Quadril: menos 9 centímetros. Gostei bastante dos resultados. A Simone seguiu o programa Código Emagrecer de Vez. Como eu falei, a primeira fase é o Desafio 30 Dias. Ela obteve todos esses resultados em somente 30 dias, antes de começar a segunda fase ainda. Mudança de vida já no começo. Parabéns para a Simone e obrigado por ter enviado seu testemunho também. Para o pessoal que quer emagrecer com prioridade, pode contar com o programa Código Emagrecer de Vez entrando em CodigoEmagrecerDeVez.com.br. Beleza. Muito bom. Esses casos de sucesso são muito legais. O pessoal manda voluntariamente. Isso que eu acho legal. A gente faz questão de passar à frente, porque isso motiva muitas outras pessoas que estão precisando mudar de vida. Bom, estudo de caso publicado na metade do ano agora. É um estudo mais completo em se tratando de efeitos de exercícios físicos consistentes em gêmeos idênticos. Eles analisaram os resultados depois de mais de 30 anos hábitos completamente diferentes de exercícios em 2 gêmeos idênticos. O gêmeo treinado é corredor de maratona, ele faz triathlon e coisas do gênero, já tendo corrido na vida, segundo o reporte, mais de 60 mil quilômetros. Meu Deus do céu.

Dr. Souto: Nem meu carro andou tudo isso.

Rodrigo Polesso: Exatamente. O gêmeo destreinado, o completo oposto, é motorista de caminhão e não pratica exercício físico regular. A conclusão desse reporte é que o gêmeo treinado possui menos porcentagem de gordura corporal, menor pressão sanguínea, menor colesterol e também triglicerídeos e menor glicemia. Até aí, tudo bem. Afinal, como nós já sabemos, isso não quer dizer que foi o exercício que foi o causador desses benefícios baseado nesse estudo de caso. Afinal como ele é atleta, podem ter sido outros hábitos alimentares ou próprio hábitos de estilo de vida que geraram esses benefícios. Mas é sempre bom manter isso em mente. Apesar de o grande foco desse estudo ser essa questão que o exercício pode mudar a expressão física até mesmo de gêmeos idênticos… Uma coisa que me chamou atenção… Principalmente, além disso, na verdade… Foi o seguinte. É o gêmeo treinado, apesar de maior capacidade aeróbica, óbvio… E esses benefícios que eu comentei… Ele possuia menor massa muscular e pior qualidade muscular do que o gêmeo destreinado que era motorista de caminhão. Aliás, ele também tinha menor torque, ou seja, força do que o gêmeo destreinado. Isso corrobora a minha opinião pessoal que essa modalidade de exercício, exercício extremamente desgastante, longos e de baixa ou média intensidade, como maratonas, triathlons… Mais tendem a denegrir a qualidade do corpo do que ajudar. A gente sabe que massa muscular, por exemplo, é um marcador de longevidade, além disso faz sentido pensar também que fragilidade muscular não é algo que necessariamente vai ajudar a gente na sobrevivência. Então, Dr. Souto, apesar do estudo de caso ter sido focado nessa questão de… “Olha só, exercício em 30 anos ajudou ele a ficar mais saudável.” Para mim, o que saltou mesmo foi essa questão de pior qualidade muscular, pior força e menor massa muscular nesse gêmeo atleta que pratica, que passa os dias praticando essa modalidade de exercício, que eu acho meio preocupante, na verdade isso. Mas não sei o que você pensa a respeito.

Dr. Souto: Eu, pessoalmente, tendo a concordar contigo, Rodrigo. Agora, claro, as pessoas têm objetivos diferentes. Obviamente, talvez o sujeito que treina para uma maratona… O objetivo dele é correr maratonas. O objetivo dele não é ficar forte. E o objetivo dele nem sempre é saúde. Porque eu já tive essa conversa com paciente no consultório. E a conversa, inclusive, às vezes foi bem franca, do tipo eu pegar, olhar para a pessoa e dizer assim… Você não imagina que isso que você faz seja bom para sua saúde. Você não tem a ilusão de que você está fazendo algo bom para sua saúde ao correr tantos quilômetros por semana. A pessoa disse, “Eu sei que isso vai destruir meus joelhos, meu quadril. Isso não favorece a perda de massa magra.” Mas a pessoa diz assim, “Mas eu tenho muito prazer com essa atividade. Eu quero superar cada vez as minhas próprias marcas. Eu quero conseguir subir num pódio.” A gente tem que respeitar os objetivos das pessoas.

Rodrigo Polesso: Com certeza. Claro.

Dr. Souto: Mas eu acho que a mensagem não custa ser passada… De que se você corre para emagrecer, você está fazendo a coisa errada. A gente emagrece com dieta. Se você corre 3 quilômetros, 4 quilômetros… Eu acho uma maravilha. Excepcional. Muito bom. Mas se você corre 40 quilômetros para a saúde, você está equivocado. Se você faz alguma atividade física por prazer, você tem que fazer aquela atividade física por prazer. Se você faz uma atividade física para melhorar a composição corporal, essa atividade física tem que ser de força. Ela tem que ser contra a resistência. Uma atividade resistida. Normalmente, isso significa com pesos. Pode até ser o peso do corpo, mas tem que ser peso. Se você faz uma atividade aeróbica para melhorar a sua capacidade aeróbica, está bem. Se você faz uma atividade aeróbica porque acha que isso vai emagrecer, você está fazendo a coisa errada. A gente emagrece com dieta. É só isso. É só as pessoas terem os seus objetivos bem colocados. Isso que você falou, Rodrigo, eu concordo em gênero, número e grau. Eu dúvido que esses dois gêmeos aí comam da mesma forma. Não para dizer que um tem triglicerídeos menor ou um percentual de gordura menor porque ele corre. Não dá para dizer isso porque tem um monte de gordinho correndo. Ele pode muito bem ter isso aí porque ele é obviamente mais consciencioso no que diz respeito à saúde, de modo que assim como ele se exercita mais, ele com certeza come melhor do que o seu irmão.

Rodrigo Polesso: Com certeza.

Dr. Souto: É que nem a história que nós falamos no início do podcast. Entre a low carb com sal do Himalaia e a bolacha com Nutella, existe um intermediário. Da mesma forma, entre o sedentarismo completo e se matar fazendo exercício, existe um meio termo. Só porque eu digo que o exercício não é uma estratégia boa para emagrecer, eu não estou falando mal do exercício. Acabaram as eleições, pessoal. Graças a Deus. A pode sair do estado de polarização absoluta e poder conversar e algo muito bom e se chama nuances. Eu posso admitir que o exercício é uma estratégia pobre para emagrecimento, que vai elevar uma perda de 1 ou 2 quilos no máximo quando se controla alimentação sem que isso seja uma coisa ruim para o exercício. Da mesma forma que eu vou dizer, olha, se eu quero ganhar massa muscular, comer, mesmo proteína, não é a melhor estratégia. Sim, eu preciso comer proteína para ganhar massa muscular, mas se eu só ficar botando Whey Protein no meu shake todos os dias e não fizer nada, não é uma estratégia boa para ganhar músculo. E se eu fizer musculação buscando a falha, com pesos progressivos e tal, eu vou ganhar massa muscular, mesmo sem Whey Protein. Exercício resistido é bom para ganhar massa muscular. E dieta é bom para perder gordura. E aí, o que a gente faz? Junta os dois. Faz o exercício para preservar a massa magra e até ganhar um pouco, e ao mesmo tempo reduz carboidratos para perder gordura. Aí sim. Aí você está fazendo uma coisa inteligente usando para coisa para aquilo que a coisa tem de melhor. O que que a dieta tem de melhor? Perda de gordura. O que o exercício tem de melhor? Ganho de massa magra, ganho de saúde, ganho de resistência. Sempre uma oportunidade de lembrar as pessoas disso.

Rodrigo Polesso: Outro ponto para a gente fechar essa questão. A gente falou que esse tipo de modalidade de exercício tende a queimar um pouco ou muito de massa muscular, como no caso desse gêmeo aí. E a gente sabe que uma das raízes de todos os males… Pelo menos uma delas… É a resistência à insulina. E tem uma coisa que ajuda o corpo a ficar mais sensível à insulina, que é a quantidade de músculos que a pessoa tem. Então, diminuir essa quantidade muscular não necessariamente vai ajudar seu corpo a continuar sendo sensível à insulina, que pode ser um problema grande a longo prazo.

Dr. Souto: Rodrigo, deixa eu botar um negócio na pauta, porque é muito engraçado. Agora eu fui lembrando aqui no WhatsApp pelo Zé Neto. Eu estava dando risada. Eu dei risada quando eu li isso esses dias. Eu vou ler para vocês a manchete. Saiu no jornal Zero Hora aqui em Porto Alegre. “Remover apêndice reduz em 19% o risco de Parkinson, aponta estudo.”

Rodrigo Polesso: Até aí tudo bem.

Dr. Souto: É engraçado pelo seguinte. Primeiro vamos analisar a linguagem da manchete. Remover apêndice reduz em 19% o risco de Parkinson. Está no presente e no indicativo, de modo que o que está sendo afirmado é que seu tirar o apêndice da pessoa isso vai fazer com que ela tenha um risco menor de desenvolver Parkinson. Qual é a única forma de provar isso? Seria um ensaio clínico randomizado. Eu teria que pegar um número grande de pessoas, teria que tirar o apêndice da metade delas… Sortear para tirar a metade. A outra metade eu vou deixar o apêndice. E aí eu vou acompanhar elas, sei lá, por uns 50 anos para ver quem é que vai desenvolver Parkinson e quem não vai. É claro que o estudo não foi esse. Ele é um estudo observacional. Então, Rodrigo Polesso, vamos lá. Como é que você escreveria esta manchete?

Rodrigo Polesso: Remover o apêndice reduz em 19% o tamanho do apêndice. Esse é o fato.

Dr. Souto: Remover o apêndice parece estar associado com um risco menor de Parkinson em um estudo observacional. Seria uma outra forma de colocar. E aí o pessoal colocou aqui no WhatsApp. O Eric Neves colocou o seguinte. Ele resolveu calcular o NNT (Number Necessary to Treat) — quantas pessoas eu preciso tratar para que eu tenha esse benefício em um. Porque acontece o seguinte. A maioria das pessoas nunca remove o apêndice. A maioria das pessoas nunca vai desenvolver Alzheimer — desculpa, Parkinson. De modo que eu teria que tratar… Remover o apêndice de 250 mil pessoas para evitar 1 caso de Parkinson. Então, assim… Colocar risco relativo… A gente já falou aqui, mas não custa, pessoal. Se eu tenho um negócio que tem 0,0001% de chance e aí eu reduzo isso para 0,00008% isso pode ser uma redução de 0,20, ou seja, 20%. Mas em termos absolutos, ainda significa milhares de pessoas para beneficiar uma. Se fosse verdade… Porque é tão absurda, é tão bizarra essa hipótese, que obviamente… Como é que foi feito esse estudo? Eles pegaram um banco de dados de pessoas com Parkinson e verificaram todas as possibilidades de coisas de coisas que pudessem estar presentes em maior ou menor quantidade e acharam por puro acaso esse negócio do apêndice. Podia ter sido uma chance maior de torcer para o Flamengo. É muito ridículo. Sim, eles dão uma explicação de uma determinada proteína que poderia viajar pelo nervo vago e tal. Mas aqui é uma hipótese post hoc. Ou seja, eles primeiro acharam a coisa bizarra e depois tentaram imaginar o que pode explicar. Eu tenho uma explicação muito melhor. Lá no meu blog eu tenho uma postagem que eu mostro que nascer em determinado signo também aumenta suas chances de ter determinadas doenças, que nascer numa quinta-feira reduz sua chance de responder a um determinado remédio para câncer de próstata. Ou seja, são todas associações estatísticas espúrias. Por que que os jornais fazem isso? Por que que o periódico peer review aceita o artigo e por que os jornalistas… É muito triste isso. Agora, podem ter certeza. Se o achado fosse “fazer uma dieta low carb aumenta em 20% suas chances de ter Parkinson”, isso seria anunciado pelo William Bonner no Jornal Nacional, embora a fidedignidade seja a mesma. O estudo observacional é igualmente ridículo. Então, vamos ficar ligados, pessoal. O que me fez ri muito foi quando o Neto comentou aqui. “Conclusão: o cirurgião trata Parkinson melhor do que o neurologista.” Afinal, poxa vida, ele consegue previnir o Parkinson. Só rindo mesmo. Mas, enfim, pode rir disso quem tem conhecimento, quem participa aqui deste nosso humilde podcast.

Rodrigo Polesso: É verdade. Senão você fica vítima dessas besteiras, dessas balelas. E para fechar aqui… Eu sei que é de manhã ainda… Mas o que você está planejando degustar no almoço?

Dr. Souto: O que eu estou planejando degustar no almoço? Essa é uma pergunta interessante, porque… Hoje em dia eu como para viver, não vivo para comer. Nem tinha me passado isso pela cabeça.

Rodrigo Polesso: Talvez alguém esteja planejando por você.

Dr. Souto: É, isso. Ou são 10:30 e 10:30 eu não estou pensando no almoço. Mas… Hoje é feriado. De repente… Eu estou na dúvida se eu vou sair para comer alguma coisa ou se vou comprar uma coisa que gosto muito, que são aqueles frangos de televisão de cachorro, sabe?

Rodrigo Polesso: Muito bom.

Dr. Souto: Aquele negócio que fica girando. Aquilo dá um gostinho que a gente não consegue reproduzir no forno de casa. O forno de TV de cachorro tem seu valor.

Rodrigo Polesso: É bom demais. De preferência aqueles que não são recheados com um monte de farinha e ração para cachorro de fato.

Dr. Souto: É só aquele que a pele foi derretendo e entranhou o gostinho da pele dentro do frango. Eu deixo o peito para minha filha que gosta e vou na coxa e na asa.

Rodrigo Polesso: É bom demais. Eu como sobrecoxa de prato principal e coxa de sobremesa.

Dr. Souto: Isso aí vale para o pessoal que diz que low carb é uma coisa muito cara. É um frango inteiro e aquilo ali alimenta uma família de 4.

Rodrigo Polesso: Com certeza. Hoje a gente vai fazer peixe aqui em casa. Estou na casa dos meus pais. A gente vai fazer tilápia. Bem gostoso. Eu adoro. Talvez algum xuxu, alguma coisa para acompanhar. Maravilha. É isso aí, pessoal. Esse foi nosso podcast de hoje com informações novas e algumas revisadas. Espero que você tenha curtido. A gente se fala na semana que vem. Lembre-se… Você pode entrar em TriboForte.com.br e ver o que te espera lá dentro. Um grande abraço para todo mundo. Obrigado, Dr. Souto. Nos falamos na próxima!

Dr. Souto: Até lá.Um abraço!

2018-11-13T07:51:26+00:00novembro 13th, 2018|Podcast|0 Comments

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