TRIBO FORTE #117 – ASNEIRA TEM LIMITE? PARECE QUE NÃO…

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Neste Podcast:

  • Quebrando mitos e asneiras ditos por aí sobre low carb.

Passe e repasse esse link, compartilhe, as pessoas precisam saber das verdades e pararem de serem enganadas pelas balelas irresponsáveis por aí! 🙂

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🙂

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Casos de Sucesso do Dia

marcelo

 

Referências

Artigo no medscape com a “nova solução” para emagrecer

Artigo no Estadão falando que dietas que restringem carboidratos podem causar doenças

Estudo publicado no jornal Circulation

 

 

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá, olá! Bem-vindo aqui ao podcast da Tribo Forte nº 117. Eu sou o Rodrigo Polesso e hoje você vai se divertir com a gente aqui, provavelmente. Eu espero que sim. Tem uma descoberta nova que vai ser a solução para o emagrecimento. Todos os nossos problemas acabaram e não tem nada a ver com dieta. A gente já vai ver isso logo no começo do podcast, uma nova descoberta revolucionando o mundo do emagrecimento. E depois a gente vai ver um pouco mais também sobre um artigo que saiu no portal do Estadão sobre low carb. Que não sei por que motivo acabou ganhando alcance e muita gente mandou mensagem para a gente, pedindo para falar sobre isso. Então a gente vai cobrir essa parte também, com bastante gosto. E, se der tempo no finalzinho, vou mencionar rápido um outro estudo sobre proteínas que saiu para a gente cobrir isso aí também. Acho que vai ser bastante legal. Se você ouvir algum barulho aqui do meu lado é porque tem uns benditos fazendo trabalho no telhado. Então me perdoe se você ouvir barulho de pé e porrada aqui em cima porque, enfim, não dá para controlar tudo nessa vida. Dr. Souto, bem-vindo a este podcast você também! Tudo bem?

Dr. Souto: Tudo bem, Rodrigo! Boa noite e boa noite aos ouvintes.

Rodrigo Polesso: Maravilha! Então, pessoal, como eu falei, vamos começar já quebrando o gelo aqui com uma nova solução incrível para o emagrecimento. Eu vou deixar o dr. Souto explicar o que é. Eu acordei com essa notícia, eu sei que ele leu durante o dia. Dr. Souto, o que é isso que vai salvar a pátria agora?   

Dr. Souto: Então, tem um agregador de notícias médicas chamado Medscape. O Medscape sempre tem notícias da área médica, a maioria dos médicos lê. E aí me cai essa notícia no colo. Uma lente de contato nasal pode ajudar a combater a obesidade. Lente de contato nasal… Bom, trata-se de um estudo que foi apresentado no Congresso Europeu de Obesidade e esse estudo fala de um dispositivo chamado NozNoz. O que é esse dispositivo? Ele é um plug, um negócio comprido de silicone que é para enfiar um em cada narina. Aí você pergunta: por que alguém faria isso? Para não sentir cheiro. Ele tem um desenho anatômico que permite que o ar passe para o nariz e vá para o pulmão, mas que o ar não chegue nos terminais sensoriais do nervo olfativo. De modo que a pessoa respira, mas não sente cheiro. Uma coisa que a gente conhece muito bem quando está gripado, resfriado. Quando a gente está com o nariz entupido, a gente perde o olfato. E ao perder o olfato, a gente perde provavelmente 80, 90% do sentido da gustação. Porque, afinal, o paladar (mais corretamente falando, a gente perde o paladar) é composto pela gustação que só nos dá o doce, salgado, amargo, azedo e umami. Tirando esses, todo o resto, toda a riqueza do paladar vem da combinação da gustação (que é na boca) com o olfato. Então, se a gente impede o olfato, a comida fica sem graça. Mais uma vez eu peço para que o ouvinte lembre da última vez que esteve gripado ou resfriado, como realmente fica sem graça. Então a ideia dos autores é a seguinte: já que as pessoas não têm nenhuma outra forma de perder peso que não seja sofrer, passar fome e restringir as calorias voluntariamente, vamos ajuda-los tornando a comida algo desagradável. Vamos tirar o senso de paladar. Vocês percebem o bizarro disso? Ou só eu? Rodrigo…

Rodrigo Polesso: É um absurdo! Eu fico indignado. Mas isso pelo menos funciona, dr. Souto? O que foi mostrado no estudo?

Dr. Souto: Então, o estudo teve o número incrível de 65 pacientes, que foram randomizados para ou usar esse negócio no nariz, ou então pingar gotinhas de soro fisiológico no nariz (que por algum motivo eles acharam que pudesse ser um bom controle para isso). O estudo durou 2 semanas e o que eles viram é o seguinte… A propósito, eles não só testaram colocar esse negócio no nariz versus as gotinhas, mas ambos os grupos tiveram que comer 500 calorias a menos.

Rodrigo Polesso: Detalhe!

Dr. Souto: Um pequeno detalhe. Você tem que colocar um negócio no nariz que você não sente o gosto, mas tem que controlar calorias também! E o resultado foi que ambos os grupos perderam a mesma quantidade de peso.

Rodrigo Polesso: Olha só! E mesmo assim virou notícia!

Dr. Souto: E mesmo assim virou notícia. Porque aí o que acontece, os autores resolveram fazer uma análise de subgrupo. Aí aqueles que são mais ligados em metodologia científica, o pessoal da área da saúde, análise de subgrupo é sempre uma análise exploratória. Ela não pode comprovar coisa nenhuma. Ela levanta hipóteses para estudos futuros. Por quê? Porque se eu começar a torturar os dados, eu acabo fazendo eles confessarem qualquer coisa. Então, o estudo foi negativo. O estudo mostrou que se a gente restringir as calorias das pessoas elas perdem peso, com o negócio enfiado no nariz ou não. No entanto, ao fazer uma análise de subgrupo, eles viram que os pacientes mais jovens perdiam mais peso com o negócio enfiado no nariz. E aí a hipótese deles é o seguinte: que as pessoas com mais de 50 anos sentem menos o cheiro do que as pessoas com menos de 50 anos, e por isso nas pessoas mais jovens teria efeito. Se eles não tivessem achado nas mais jovens, eles tentariam mais nas gremistas do que nas coloradas. Mais nas altas do que nas baixas. Até que, ao acaso, eles achassem uma diferença estatisticamente significativa. Por isso que a análise de subgrupo não tem importância… Apenas tem importância para levantar hipóteses. Mas, o principal desse estudo, que é o que a gente queria chamar a atenção de vocês, é o seguinte: como realmente a crença de que a única solução é a restrição voluntárias das calorias leva ao bizarro.

Rodrigo Polesso: Perfeito.

Dr. Souto: O bizarro, por exemplo, significa tomar um remédio xenical, que faz você ter diarreia para você evacuar as calorias ao invés de absorvê-las. O bizarro significa amputar pedaços do trato digestivo e achar que isso não é radical, mas que cortar carboidratos é radical. O bizarro é um outro dispositivo que eu vi também no Medscape esses dias, que é um dispositivo que se coloca por via endoscópica e ele recobre o duodeno e um pedaço do jejuno, de modo que a comida passe por ali, mas não entre em contato com a mucosa para não ser absorvida. O bizarro é, por exemplo, aquele negócio que saiu um ou dois anos atrás (talvez alguns lembrem que a gente comentou aqui, o Rodrigo vai lembrar) que era uma espécie de torneira que se botava no estômago, de modo que a pessoa pudesse comer, abrir a torneira e tirar do estômago aquilo que ela comeu. Assim, além da patologia, do óbvio grotesco de tudo isso que nós estamos descrevendo, o que está por trás disso é uma concepção equivocada. Vê como é importante prestar atenção na concepção? Porque uma concepção equivocada leva a soluções bizarras. Veja bem, eu posso comer uma comida deliciosa, hoje eu comi um peixe maravilhoso no almoço e eu senti todo o cheiro e o sabor dele. E eu tenho certeza que aquilo fez bem para a minha saúde e me ajudou a manter o pouco peso que eu tenho hoje. Quer dizer, eu não preciso deixar de sentir o gosto. Eu não preciso abrir uma torneira e tirar o peixe que eu comi de dentro do estômago para não engordar. A importância que tem a concepção correta, a gente saber que se nós escolhermos os tipos de alimentos corretos, nós não precisamos ficar evitando comer, ou tirando com torneira, ou enfiando algo no nariz para não sentir o gosto, porque isso é bizarro, pessoal. Mas se a gente acreditar que os problemas são as calorias, aí é isso aí. São essas soluções.

Rodrigo Polesso: A qualidade tem supremacia sobre a quantidade. Isso é bizarro. Ultra, mega bizarro. Espero que tenha feito o seu dia, deixado o seu dia mais divertido. Mas tristemente não é tão bizarro quanto o que a gente vai ver agora. eu falei que saiu uma matéria no portal do Estadão com o seguinte título: Dietas que restringem o carboidrato podem causar várias doenças. Como eu falei, não sei porque diabos esse artigo ganhou popularidade. Para começar não existem referências citadas nesse artigo. É um artigo de blog de opinião, é um blog dentro do portal do Estadão que é de opinião, foi só opinião. Eu quero começar dizendo que eu fiquei absolutamente chocado com esse artigo. Eu sinceramente acho que na minha vida inteira, eu nunca vi um artigo sobre nutrição que contenha tantos erros por linha escrita. Eu fiquei abismado, irritado e até incrédulo, na verdade, que alguém possa ter escrito algo tão ruim, tão fundamentalmente errado e irresponsável e ainda ter publicado para a população ver.

Dr. Souto: Eu até estava conversando com o Rodrigo agora antes da gente gravar. Tem uma aula que eu dou às vezes, que se chama Mitos e Lendas Sobre Low Carb. Parece que essa pessoa assistiu essa aula e construiu um texto composto de mitos e lendas. É absolutamente impressionante. Incrível!

Rodrigo Polesso: Impressionante. E para todas as alegações (que são erradas, obviamente), já existem provas do contrário documentadas e publicadas na literatura científica. Eu chego a sentir uma grande vergonha alheia da autora, sabendo que esse artigo basicamente demonstra que todo o conteúdo prévio dela no blog deve ser questionado quanto à credibilidade, já que uma besteira dessa foi publicada. Está tão desatualizado em termos de assuntos básicos, em termos de mecanismos básicos da fisiologia humana. Mas sabe o que é mais triste a respeito disso, dr. Souto? O mais triste é que eu conheço a Juliana Carreiro pessoalmente, que é a autora disso aí.  

Dr. Souto: É mesmo?

Rodrigo Polesso: Como eu conheço? Eu a conheço porque na Tribo Forte do ano passado, a gente estava pensando em fazer um painel jornalístico no palco, para tentar entender como a mídia poderia ajudar na divulgação de informação boa. E a gente teve uma reunião, um café com ela e a minha assessoria de imprensa. A gente foi lá e conversou na boa, ela concordou e tudo mais. E o seguinte, eu lembro que ela falou que a mãe dela é nutricionista. Ela escreve esse blog que é publicado no Estadão, que se chama Comida de Verdade, ironicamente. A mãe dela é nutricionista, então ela pega essas informações da mãe dela. Eu conheço, mas enfim, isso não apaga os dados, o fato. Foi uma amargura ler esse artigo, mas é nosso dever proteger você que nos escuta, então nós vamos mostrar alguns dos furos do artigo. Porque se a gente fosse mostrar todos, a gente ficaria por horas a fio e eu não teria nem fôlego mais para dar risada. Eu vou ler alguns trechos e a gente vai discutindo trecho a trecho para você entender esses erros fundamentais. Se você tinha dúvida a respeito disso, vamos lá. “Assim como outras dietas restritivas, esta sugere que se retire da rotina alimentar todos os tipos de carboidratos.” Que a gente sabe que não é verdade, não é? Bom… “Pode até ser que ela cumpra com o papel de redução de peso, mas certamente não será um emagrecimento saudável, nem duradouro. O nosso organismo precisa de representantes de todos os grupos alimentares para funcionar. Os carboidratos são uma fonte de energia essencial.” Lembrando, pessoal, quais são os três macronutrientes? Gorduras, proteínas e carboidratos. Qual é o único deles que não é essencial?

Dr. Souto: É o único! E veja bem, isso não é o Rodrigo Polesso que está dizendo, ou o Souto que está dizendo. Isso está… é fisiologia. E existe um livro publicado pelo Institute of Medicine, que é o livro do DRI, Dietary… enfim, esqueci o que significa a sigla. É a sigla que diz o quanto de cada nutriente a pessoa precisa comer por dia. Quando chega nos carboidratos, está escrito lá, se não me engano é na página 275 (porque eu tenho isso em uma aula e eu acho que eu me lembro desse slide). E lá diz: a quantidade de carboidratos requeridos pelo ser humano por dia é 0. É zero porque não é essencial. Nós não estamos aqui dizendo que a pessoa deva comer zero carboidrato. Nós só estamos dizendo que a frase dela está factualmente errada.

Rodrigo Polesso: Ela disse que tinha que tirar todos os carboidratos, o que é uma falácia na questão de low carb.

Dr. Souto: E outra, ela diz assim: nosso organismo precisa de representantes de todos os grupos alimentares. Então ela também é contra o vegetarianismo.

Rodrigo Polesso: Tem que ser.

Dr. Souto: Tem que ser, porque o vegetarianismo tira um grupo imenso de alimentos da dieta. Tira carnes, tira peixes, tira aves, tira ovos, tira laticínios. Então é aquela incongruência de sempre.

Rodrigo Polesso: E aí começa o artigo assim, então. Você está vendo é uma pessoa que acredita piamente que carboidratos são fontes essenciais de energia, então já mantenha isso em mente. Ela continua: “Na ausência do carboidrato, o organismo tende a reter a gordura, para servir de fonte de energia em uma situação futura de muita necessidade, e utiliza…”

Dr. Souto: Ela simplesmente inventou isso! Ela inventou isso! Isso não existe!

Rodrigo Polesso: E utiliza o que? Utiliza o que ao invés da gordura? “Utiliza os nossos músculos, gerando perda da massa muscular.” Olha que inteligente, não é?

Dr. Souto: Então assim… Primeiro, pessoal, tem incontáveis estudos mostrando que se perde gordura com low carb. Tem incontáveis pessoas fazendo low carb, perdendo gordura e ganhando massa muscular ao mesmo tempo, porque estão treinando. O que faz perder gordura é dieta. O que faz ganhar músculo é treino. Então, incontáveis… Mas a gente pode também ir ver o que mostram os artigos científicos. Lá no meu blog, quem colocar no Google: Souto dieta composição corporal, vai encontrar um ensaio clínico randomizado mostrando que em uma dieta low carb perde-se seletivamente mais gordura do que em uma dieta low fat. E em uma dieta low carb perde-se seletivamente menos massa magra do que em uma dieta low fat. Naquele mesmo post lá do meu blog, e veja bem, é post de blog, mas diferente disso que estamos criticando aqui, o meu tem as referências bibliográficas, você pode clicar e ver a referência no PubMed. Lá temos um outro estudo, que é um estudo feito em ginastas da equipe olímpica da Itália. São atletas de ponta, pensem em um ginasta, um sujeito que já é forte para caramba. E eles foram randomizados para fazer uma dieta pirâmide alimentar, ou uma dieta cetogênica (que é super low carb). E o que aconteceu? Eles não perderam massa magra, mas o grupo da cetogênica perdeu massa gorda. Se não me engano, cerca de 2 kg de massa gorda, em atletas que já eram super magros. E esses atletas chegaram a ganhar cerca de 300 ou 400 gramas de músculos. Só que não chegou a ser estatisticamente significativo, porque o número de atletas era pequeno no estudo. Mas com certeza não houve perda. Então, de onde ela tira essa asneira? Asneira vem de asno, viu, pessoal. Então, de onde sai uma asneira de dizer que o corpo vai poupar gordura na ausência de carboidrato? Veja bem, o corpo tem duas alternativas para energia. Proteína não é uma alternativa normal para energia. Proteína se perde nas dietas de fome, onde a restrição calórica é tão severa que o corpo perde grande quantidade de massa magra. Agora, em low carb, eu estou falando os estudos aqui, ela não citou. Então quando um cita estudo e o outro não cita, sinto muito, pessoal… Tem um estudo mais recente com atletas de crossfit. Foi um estudo com duração de 6 semanas e os atletas de crossfit (mais uma vez uma atividade de altíssima demanda física) foram randomizados para pirâmide alimentar ou para dieta cetogênica. O desempenho dos atletas foi rigorosamente o mesmo e na análise da composição corporal a única diferença foi que os que fizeram cetogênica perderam exclusivamente gordura. A massa magra dos atletas e o desempenho deles (o tempo para completar aquele número específico de atividades do crossfit) foi igual. Ou seja, não houve queda de desempenho, portanto não houve perda de massa magra. Mas houve perda seletiva de massa gorda no grupo que fez cetogênica. Então, se a fulana que quiser dizer o contrário, está na hora de citar ensaios clínicos randomizados e referências. Sim, é possível perder um pouco de massa magra com qualquer dieta de perda de peso. Eu disse qualquer. Agora, cabe à pessoa que não quer perder massa magra treinar. Os ginastas que eu citei continuaram treinando naquela rotina forte de atletas olímpicos. Esses do crossfit continuavam treinando na sua rotina forte de crossfit. Interessantemente um ensaio clínico randomizado com 149 pacientes que eu cito na postagem que eu falei para vocês, nesse nem se fala em detalhes que tipo de atividade física as pessoas fizeram e ainda assim houve uma preservação maior da massa magra no grupo low carb. Então, sinto muito, é asneira. Agora, o papel aceita qualquer coisa. Os pixels então aceitam literalmente qualquer coisa.

Rodrigo Polesso: Tem um outro estudo, que agora eu não lembro exatamente, mas já falei no Youtube, tem no Código Emagrecer de Vez também. E ele fala que até em casos extremos, como o jejum de mais, acho que foram 4 dias que fizeram e acompanharam a questão da massa magra e a massa magra foi mantida também pelo aumento do GH e também da adrenalina que mantém o pique da galera. Até não comendo nada em 4 dias a massa magra foi mantida. Então, acho que tem vários ângulos.

Dr. Souto: Vários ângulos! E ela ainda diz a seguinte bobagem: a gordura só é utilizada (e mesmo assim em proporções muito menores do que a proteína). Assim, ela está… em inglês a gente diz assim: she is taking it out of her butt. She is taking it out of her ass. Quem sabe inglês entendeu o que eu falei. Quem não sabe procura, porque eu tenho vergonha de dizer isso em português (como essa pessoa deveria ter vergonha de escrever o que escreve). “(…) quando passam a se formar os corpos cetônicos.” Isso é uma grande bobagem. Low carb não cetogênico também perde gordura. “Essa é a ideia da dieta cetogênica, que também desequilibra o organismo.” Mais uma bobagem! Ela conseguiu escrever um parágrafo que cada frase é uma asneira no sentido de aquilo que refere-se a asno. Segue, Rodrigo.

Rodrigo Polesso: Outra frase curta aqui: “É comum que as pessoas aumentem muito o consumo de proteínas enquanto estão fazendo alguma restrição de carboidratos.” Outra coisa que a gente sabe factualmente que é falso. O consumo de proteína tende a se manter estável independente do tipo de dieta.

Dr. Souto: É, mas tem mais uma aqui que eu gostei muito: “Consumir menos de 150 gramas de carboidrato por dia faz com que o organismo tenha que utilizar a proteína para dar energia para o cérebro funcionar.”

Rodrigo Polesso: Tá, mas você não vai ficar pulando na frente do artigo agora, não é? A diversão tem ritmo aqui!  

Dr. Souto: Mas essa aqui foi logo depois dessa dos corpos cetônicos!

Rodrigo Polesso: A gente vai cuidar dessa aí! Não se preocupa não, que nada passou sem atenção aqui, essas aberrações todas!

Dr. Souto: Vamos lá! Fala que eu comento!

Rodrigo Polesso: É porque eu deixo sempre o melhor por último, dr. Souto.

Dr. Souto: Está certo! Sobremesa!

Rodrigo Polesso: Para ter o clímax! Continuando, ela mencionou: “Precisamos consumir alguma fonte de carboidrato pelo menos nas três principais refeições do dia e, de preferência, nas intermediárias também. Isso porque são eles que dão energia para o nosso cérebro funcionar.” Então ela sugeriu quantas? No mínimo 5 refeições por dia, e falou que é obrigatório que a gente consuma carboidratos em todas elas, senão o cérebro vai morrer de fome.

Dr. Souto: Veja bem, eu não sei como nós estamos conversando aqui, porque eu não consumi esse carboidrato todo e nem comi todo esse número de vezes. Então veja bem, é aquela história do cisne negro. A gente já falou aqui a ideia do Karl Popper, é uma alegoria, onde ele quer dizer o seguinte: uma teoria nunca pode ser completamente comprovada, por mais que a gente veja repetições daquilo ali. Mas uma vez que a gente veja uma situação que comprovadamente mostra que aquela teoria está errada… basta uma para derrubar a teoria. Então ele dizia…

Rodrigo Polesso: Você é um mutante, com certeza.

Dr. Souto: Olha só. Eu já vi 100 cisnes e todos são brancos. Quantos eu preciso ver para ter certeza de que todos são brancos? Não existe essa resposta. Agora, basta eu ver um cisne preto para saber de que a ideia de que todos são brancos está errada. Ou seja, se eu digo que precisa comer de 3 em 3 horas para o cérebro funcionar… Se eu digo que precisa comer no mínimo 150 gramas de carboidratos para o cérebro funcionar… E eu tenho gente que não está fazendo isso e o cérebro está funcionando, é porque minha teoria está errada. É óbvio. É evidente. É debilmentalmente evidente.

Rodrigo Polesso: Isso já foi mostrado, inclusive, fisiologicamente. O cérebro consegue outros substratos, como, por exemplo, os corpos cetônicos.

Dr. Souto: A explicação de como é que o cérebro funciona sem carboidrato na dieta a gente sabe. Mas o que eu digo é: nem precisa ter todo esse nível de cognição para entender. Basta saber o seguinte. O meu amigo Joãozinho Não comeu carboidratos. Aliás, ele não comeu nada nas últimas 24 horas. Ele está vivo e fazendo contas de matemática. É sinal de que minha teoria estava errada. Eu tenho que reformular minha teoria. É simples assim.

Rodrigo Polesso: É simples assim. Não precisa nem passar muito para os detalhes.

Dr. Souto: Não precisa saber de corpos cetônicos, não precisa saber de neuroglia, não precisa saber de transportadores de beta-hidroxibutirato e acetoacetato pelas meninges. Precisa saber nada disso. Basta saber que o Joãozinho não comeu carboidrato e está vivo e pensando.

Rodrigo Polesso: A prova é que nós estamos aqui gravando esse podcast.

Dr. Souto: Isso aí.

Rodrigo Polesso: Se a gente consegue gravar o podcast com o cérebro morto, então… Essa frase agora é uma das melhores, que mostra o profundo conhecimento nutricional dessa pessoa. Olha só. “O ideal é variarmos bastante as nossas fontes de carboidrato, dando prioridade para os mais complexos, como a farinha feitas com arroz, a fécula de batata e os polvilhos. Estas opções nos deixam mais saciados porque têm mais fibras e nutrientes.”

Dr. Souto: Por onde começar? Assim…

Rodrigo Polesso: O que a gente vai falar disso?

Dr. Souto: Polvilho é uma coisa que a gente bota na bunda do bebê. Por que que a gente bota polvilho na bunda do bebê?

Rodrigo Polesso: Porque não merece na boca nunca.

Dr. Souto: Essa seria uma explicação. Seria a forma mais saudável do polvilho chegar lá, que não tivesse que passar pela boca. Mas assim… Veja bem… É porque ele é amido puro. Ele é amido puro. É o que faz o talco. Hoje em dia, claro, tem esses talquinhos industrializados, perfumados e tal. Mas nossas avós botavam polvilho para secar a bundinha do bebê. Aquilo é o talco. É o amido puro. Ele não é complexo. Ele é a coisa mais refinada, mais simples, mais próxima do índice glicêmico acima de 100 de que você pode encontrar. O polvilho é simplesmente o amido puro. Puro da mandioca ou do milho.

Rodrigo Polesso: Sem fibras e sem nutrientes, que ela falou como grande vantagem.

Dr. Souto: Sim, sem nenhuma fibra e sem nenhum nutriente. É um negócio assim… Basicamente, se você deixar numa prateleira, aquilo dura para sempre. Não duvido que tenha polvilho com centenas de anos preservado dentro de potes de barro em tumbas.

Rodrigo Polesso: Farinha de arroz e fécula de batata é a mesma coisa.

Dr. Souto: Sim, veja bem… O que é arroz? Arroz é uma bolinha de amido. Farinha de arroz é a versão refinada disso. Nada pode ser tão refinado, tão não complexo em termos de carboidrato. Rodrigo, se você me perguntasse… Pensa num carboidrato complexo… Eu pensaria numa lentilha, por exemplo, que tem um índice glicêmico tipo 30. Tem carboidrato, vai elevar a glicemia do diabético… Mas muito menos do que farinha de arroz. Entre comer uma colher de sopa de farinha de arroz ou uma colher de arroz de açúcar refinado de cana, o diabético estaria fazendo melhor em comer o açúcar de cana. Ele elevaria menos a sua glicemia. O que eu estou falando para vocês é rigorosamente verdade. Quem duvida, procure o índice glicêmico do açúcar e procure o índice glicêmico da farinha de arroz. Que mais que a pessoa inteligente falou?

Rodrigo Polesso: Ela falou que tem que variar bastante a fonte de carboidrato…

Dr. Souto: Fécula de batata também. Olha só… Se a fécula de batata for crua, aí sim. Aí é um carboidrato complexo. Mas só come fécula de batata crua quem ouve esse podcast aqui, que quer consumir amido resistente, por exemplo.

Rodrigo Polesso: E não faça isso. A gente já falou especificamente sobre a fécula de batata. Quem quer usar como probiótico, não é a melhor opção, porque ela alimenta todos os tipos de bactérias – as boas e as ruins.

Dr. Souto: É. Só se você não tiver nenhum problema de proliferação de bactérias no intestino delgado… Se estiver com o intestino bem… Se quiser botar, suplementar um pouquinho no iogurte… Eu acho que está bem. Mas veja bem. Crua. Agora, o que ela está falando aqui é de usar de forma culinária essas coisas.

Rodrigo Polesso: Como fonte de energia.

Dr. Souto: Pelo amor de Deus!

Rodrigo Polesso: Isso é uma receita para doença. Meu Deus do céu. Olha só. “Outro erro grande de quem segue o conceito low carb é retirar as frutas da rotina alimentar. Elas são imprescindíveis para nossa saúde.”

Dr. Souto: Tá. Então vamos começar assim. Primeiro… Quem é que disse que a gente tira as frutas numa dieta low carb? Eu vou citar várias coisas aqui que são frutas e ninguém vai poder dizer que não é.

Rodrigo Polesso: Abacate.

Dr. Souto: Não, não, não… Vou mais longe, Rodrigo.

Rodrigo Polesso: Coco.

Dr. Souto: Abobrinha. Pimentão. Pepino. Chuchu. Tomate. Ou seja, metade daquilo que a pessoa que escreveu isso acha que é salada, tudo bem. É salada. Mas é fruta. Então, quem come uma dieta que tem uma saladinha, está comendo frutas. Por que sou obrigado a comer frutas cheias de açúcar numa dieta para ser saudável? Mesmo que eu concorde com a premissa de que frutas são imprescindíveis para uma dieta saudável, eu não sou obrigado a comer exclusivamente aquelas que tem mais açúcar. Eu posso comer as berries, por exemplo.

Rodrigo Polesso: Inclusive, quem faz isso… Quem prioriza e come uma dieta de frutas sabe muito bem que… Para de fazer isso porque está a ponto de passar para a eternidade… Está a ponto de morrer porque… O fruji… Como que fala? Fruji… O pessoal que come só fruta. O pessoal fica tão doente, tão fraco…

Dr. Souto: É “frujiloquismo”, não é isso?

Rodrigo Polesso: Exatamente. Esse é outro extremo. Quem come só isso se intoxica e quase morre. Tem que parar. Agora, low carb, como o Dr. Souto falou… A gente não tira frutas completamente… A gente tira esses sacos de açúcar.

Dr. Souto: Low carb… Só relembrando… É “baixo carboidrato” em inglês. Não é low fruit. Eu posso fazer low carb comendo fruta para caramba. Já falei aqui. Abobrinha, pepino, chuchu, berinjela, tomate, pimentão. E tem várias outras que eu estou me esquecendo.

Rodrigo Polesso: Coco, abacate, berries…

Dr. Souto: “Mas estou falando fruta mesmo”. Então, abacate, coco, azeitona. “Não, mas estou falando fruta mesmo.” Entendi, é fruta doce. Bom, pega as berries, moranguinho, mirtilo, framboesa, amora. “Estou falando fruta mais docinha.” Pega um kiwi. “Não, mas estou falando fruta doce.” Então você é viciado em doce, não em fruta, meu amigo! Entendeu? Se a pessoa só consegue comer banana e caqui, ela tem um problema. Ela tem um problema com o seu paladar. É um paladar infantilizado. É um paladar viciado em açúcar. Eu sei porque eu já estive lá. Até os meus quarenta anos de idade… Eu já falei aqui… Eu comia quindim em quantidade. Eu ia comprar churros, não era um, eram dois. Mas eu tinha um problema. Então, eu não estou querendo dizer que comer uma banana é a mesma coisa que comer vários donuts e vários churros. Não é isso que eu estou dizendo. Eu quero dizer que uma pessoa pode fazer uma dieta low carb porque ela precisa perder peso, porque ela é diabética, porque ela tem síndrome metabólica, ou porque ela se sente bem para caramba fazendo low carb… Ela pode fazer low carb e comer frutas aos montes. Ela simplesmente vai usar o seu cérebro… Este que, aparamente, funciona mesmo sem carboidratos… Para escolher aquelas frutas que são mais pobres em carboidratos. Mas, coitada, acho que a pessoa está comendo muito polvilho… Talvez isso esteja realmente prejudicando o cérebro. É um fator de risco para Alzheimer… Glicemia muito alta, hemoglobina glicada muito alta.

Rodrigo Polesso: Exato. Exatamente. E falar que são imprescindíveis para nossa saúde é um erro básico. Não tem nada em frutas, que seja essencial para o corpo, que não seja achado em bem maior quantidade em outros alimentos também. Tem vários erros. Tem várias camadas de falácias aqui.

Dr. Souto: São camadas. É isso aí. É fascinante, porque a pessoa consegue errar com camadas de profundidade. É um negócio interessante. O gênio para ser uma coisa que tem limite, mas a ignorância não tem.

Rodrigo Polesso: Como diria Einstein… Ela é infinita, assim como o universo. Olha só, segundo a Juliana, no artigo, a conversa que deu origem a esse artigo… Da onde saíram essas asneiras agora… A conversa que deu origem ao artigo foi uma que ela teve com a sua mãe, como eu falei no começo, que é nutricionista. Já no início do vídeo dessa conversa… Nesse artigo ela colocou o vídeo da conversa. No início do vídeo dessa conversa, ela já demonstra de forma incontestável que, infelizmente, abstém de conhecimento básico da fisiologia humana. Quando um erro tão fundamental assim que a gente vai ver agora já é mencionado nos primeiros segundos do vídeo, eu confesso que ver o resto parece inútil. Olha só, Dr. Souto, chegou a hora. Olha o que a mãe dela, nutricionista, diz para ela no começo do vídeo. Ela fala assim… Nossa! Não, vamos falar direito. Ela pergunta assim: “Qual é o problema, então, com dietas low carb?” A mãe dela fala: “Nossa! Por onde começar? Para ter uma noção dos danos que o low carb pode causar no organismo, vamos pensar no seguinte. Qualquer livro básico de bioquímica vai estar escrito que menos de 150 gramas de carboidrato por dia vai fazer o organismo ter que usar proteína para gerar energia para o cérebro no lugar do carboidrato para não ter risco de faltar energia para o cérebro. Se isso fosse verdade, os inuítes e os masais seriam povos folclóricos, que nunca existiram…

Dr. Souto: Vamos começar pelas camadas. Então, assim… A primeira camada é a seguinte. À medida que diminui o carboidrato, diminui a necessidade de glicose do cérebro. A necessidade de glicose do cérebro não é fixa. Essa necessidade que é colocada por alguns autores como 130 ou 140 gramas de carboidrato por dia seria se a pessoa estiver consumindo uma dieta ocidental padrão com 60% de carboidratos. Nesta circunstância em que há glicose sobrando no corpo, o cérebro usa porque está sobrando em torno de 130 gramas de carboidrato por dia. À medida em que se diminui os carboidratos na dieta, há uma diminuição de 75% da necessidade de glicose pelo cérebro. Vou repetir: à medida que a pessoa adota uma dieta low carb ou simplesmente entra em um jejum prolongado, o cérebro passa a usar apenas 25% da glicose que ele originalmente usava. O resto passa a ser substituído não por proteína, passa a ser substituído por corpos cetônicos, que se originam da gordura. “E proteína?” Sim, a proteína é necessária, em parte para a gliconeogênese, que é esse fenômeno que ocorre no fígado… E em menor proporção nos rins… No qual a proteína é convertida em glicose para fornecer o restante dessa glicose que alguns órgãos, como o cérebro, necessitam – embora o cérebro necessite de menos glicose em low carb do que em high carb, mas alguma ele ainda precisa. Agora, essa proteína… Por que que ela tem que ser do músculo? Por que ela não pode ser a proteína que a pessoa está comendo na dieta? É óbvio. Veja bem. Ela, em determinado momento, diz que é uma dieta rica em proteína e que isso é um problema. Mas, ao mesmo tempo, ela está dizendo que a proteína é necessária para produzir glicose. Então, afinal, é ruim ou bom? Então, assim… O óbvio é o seguinte. Já que a pessoa está comendo proteína, evidentemente o corpo vai usar primariamente a proteína, os aminoácidos da dieta e não a do músculo para produzir carboidrato. Em jejuns prolongados… Jejuns de muitos dias… Sim, aí o corpo começa a usar as proteínas dos músculos para produzir glicose. Mas produz como os estudos clássicos de jejum… de Cahill. Cahill se escreve C-A-H-I-L-L. Quem fala de jejum tem que ler os estudos de Cahill. Obviamente, a pessoa que deu a entrevista… Nunca ouviram falar em Cahill. Os estudos de Cahill mostram o seguinte. A oxidação da proteína despenca logo nos primeiros dias de jejum. Por quê? Porque o corpo passa a oxidar fundamental o quê? Aquilo que ela diz que o corpo não vai queimar, que é gordura. O Cahill não inventou isso. Ele estudou voluntários. Sabe como um cientista faz? O cientista não fica especulando se uma pedra grande vai cair mais rápido do que uma pedra pequena.

Rodrigo Polesso: Ele pega e joga as duas.

Dr. Souto: Ele pega e joga as duas. Então, o Cahill queria saber o que acontecia no jejum. Ele não sentou na poltrona dele, botou um mantra indiano, acendeu um incenso e deduziu isso sentado numa poltrona. O Cahill foi estudar.

Rodrigo Polesso: Olha só que palavra… Estudar.

Dr. Souto: Ao estudar, p Cahill descobriu que no jejum prolongado a primeira coisa que se oxida é glicose, porque é o que tem na forma de glicogênio. Assim que a glicose termina de ser oxidada, começa a haver um aumento da oxidação de gordura. E a oxidação de aminoácidos, ou seja, de proteína, cai muito. Ela continua. No jejum prolongado sempre o corpo vai queimar uma certa quantidade de proteína por dia, justamente para produzir aquela pequena quantidade de glicose que o corpo está precisando. Por que pequena? Porque o corpo está queimando gordura como se não houvesse amanhã. É isso que acontece no jejum e é isso que acontece em low carb, que é uma situação bioquímica levemente análoga ao jejum. Low carb é uma situação bioquímica em que, embora a pessoa esteja alimentada, lembra um pouco a situação do jejum, porque a insulina está baixa, porque o glucagon está alto, porque a pessoa ao estar com pouca glicose disponível como substrato para as células, para as mitocôndrias, para o ciclo de Krebs… Passa a oxidar mais gordura. Isso é o que os livros de bioquímica mostram. O livro de bioquímica não mostra que a pessoa precisa queimar fundamentalmente proteína. O livro de bioquímica fala que precisa de proteína para produzir glicose na gliconeogênese, mas a droga da proteína é a picanha de você comeu, e não o músculo do seu bíceps.

Rodrigo Polesso: A gente pode até instruir ela, na verdade. Se a gente abrir um livro de bioquímica, já que ela falou em bioquímica… O que a gente vai aprender… E ela pode se atualizar lá se ela quiser, é sobre a gliconeogênese, que você falou… É um processo natural do corpo que gera glicose a partir de outros compostos possíveis, não só proteínas. Como dito no livro de bioquímica, os maiores precursores de gliconeogênese são o lactato, o glicerol que vem das gorduras, dos triglicerídeos… Os aminoácidos… Alanina e glutamina, que podem vir das proteínas que você está comendo. Ainda, a gliconeogênese…

Dr. Souto: Eu comi alanina e glutamina para caramba hoje. Eu comi peixe.

Rodrigo Polesso: Então, exatamente. Não precisa tirar do músculo.

Dr. Souto: Tirar do músculo do peixe, não do meu.

Rodrigo Polesso: A gliconeogênese é somente uma das formas de manter o açúcar no sangue estável. Outras formas… Tem a degradação do glicogênio, como a gente falou… O Dr. Souto falou… E também o quê? Ai meu Deu, o catabolismo de ácidos graxos, que é a queima de gordura. Olha só que maravilha. Então, não precisa. O corpo tem várias cartas na manga. Como ela mesma diz no vídeo, proteínas são muito importantes. Logo, porque raios o corpo vai catabolizar proteínas dos músculos que você tem e outros tecidos para gerar glicose se isso também pode acontecer através de outros caminhos, como a quebra de gordura e outros substratos… E também a quebra de proteína que você está ingerindo. Só isso, que são os primeiros segundos do vídeo dela… Que foi a base para esse artigo já demonstram a incapacidade ou incompetência profissional… Ou quão desatualizada essa pessoa está para falar desse assunto.

Dr. Souto: Vocês querem ver mais um cisne negro? Ela diz aqui que em curto prazo o organismo consegue se adaptar à falta de proteína. Que falta de proteína se a gente está comendo proteína? Mas, enfim… O que que começa a acontecer? Flacidez muscular, ossos fracos, má digestão, irritabilidade, ansiedade, depressão. Por isso que a gente não dá risada…

Rodrigo Polesso: É veganismo isso?

Dr. Souto: Não, não, não… É low carb.

Rodrigo Polesso: Parecia muito.

Dr. Souto: O cisne negro que eu quero que vocês façam é o seguinte. Vocês que estão nos ouvindo. Todos vocês que estão nos ouvindo vão no Tribo Forte 2018. Vão, né?

Rodrigo Polesso: Tem que ir. Pelo amor de Deus.

Dr. Souto: Pelo amor de Deus. Então, vocês olhem as pessoas que vão estar lá na frente palestrando. Deem uma olhada no geral. No grosso dos palestrantes e avaliem se vocês estão vendo pessoas que perderam basicamente músculos, mas que estão obesas. Só isso. Vocês vão estar vendo pessoas que vão estar no palco… São pessoas que pregam isso e se alimentam assim há anos. Então, elas devem ser pessoas… Vou ler aqui… Que tem queda de cabelo, flacidez muscular, ossos fracos, má digestão, irritabilidade, ansiedade, depressão e um enfraquecimento do sistema imunológico que, em casos extremos, pode causar séries doenças autoimunes, como lúpus ou até alguns tipos de câncer… O sistema nervoso central também é prejudicado, e pode causar doenças como o Alzheimer. Basicamente, tudo o que está dito aqui é bullshit. Existem estudos de dieta low carb, existem metanálises sobre low carb e tudo o que está dito aqui… É impressionante como a pessoa é capaz de afirmar incontáveis coisas absurdas, não botar uma única referência bibliográfica e contar com o agnosticismo dos pixels, porque o pixel é agnóstico. O mesmo pixel que imprime Shakespeare, imprime isso aqui.

Rodrigo Polesso: É, exatamente. O problema é que muita gente lê esses pixels hoje em dia e não sabe a fonte, já que está Estadão, lá em cima do banner. Tem outro cisne negro. Uma pessoa que também está indo a caminho da falência dos órgãos aqui, que é o Marcelo. Ele mandou para a gente o antes e o depois. Ele perdeu 10 quilos. Olha só o quanto ele está sofrendo. Ele disse: “Me sinto outra pessoa, com mais disposição e muito mais feliz comigo por estar alcançando esse objetivo de uma melhor qualidade de vida.”

Dr. Souto: Desculpa, Rodrigo… Ele não tem irritabilidade, depressão, flacidez muscular?

Rodrigo Polesso: Olha, ele não estaria sorrindo na foto se ele estivesse dessa forma. Ele seguiu o programa Código Emagrecer de Vez por três meses e junto com esses 10 quilos, ele mandou embora muitas medidas como 6 centímetros de peito, 6 centímetros de cintura e 6 centímetros de quadril. Ele postou o resultado lá no fórum dos membros do Código Emagrecer de Vez. E fez questão de dizer que não incluiu nem mesmo atividade física nesse tempo, ou seja, o resultado foi só seguindo o programa, focando na alimentação. É mais um cisne negro. O pessoal que quer seguir o Código Emagrecer de Vez, inclusive… Além das instruções do que fazer semana a semana, você tem acesso a uma base também de artigos provando os hábitos… Porque que esses hábitos funcionam… Lá tem sobre jejum, tem estudos mostrando… Não é balela como essa aqui do Estadão não. É só você entrar em CodigoEmagrecerDeVez.com.br para se instruir sobre isso.

Dr. Souto: Agora, deve ter perdido só massa magra, então. Deve ter virado um molusco.

Rodrigo Polesso: Deve ter virado…

Dr. Souto: A gente precisa debochar…

Rodrigo Polesso: Porque é um absurdo.

Dr. Souto: Se fosse um texto referenciado… Com referências bibliográficas… Se fosse com referências bibliográficas não estaria dizendo o que diz. Aí está bem. Agora, quando a coisa é vomitada dessa forma… O que a gente tem que fazer? Tem que fazer a assepsia intelectual do vômito intelectual.

Rodrigo Polesso: Exatamente. Não tem como respeitar isso, porque eles não respeitaram a população ao postar essas asneiras sem verificar se tinha senso ou não.

Dr. Souto: Veja, assim… Eu entendo que tem pessoas que não vão se adaptar a uma alimentação low carb. Eu entendo, Rodrigo, que tem pessoas que nem precisam de uma alimentação low carb. Eu entendo, inclusive, que tem pessoas que se dão bem com a chamada dieta flexível, que é basicamente ficar contando calorias e anotando… E usando um aplicativo para registar tudo o que come… Aí a pessoa vai comer seu quindim e tal… Mas dentro de uma quantidade pequena… Tudo isso eu entendo. Eu entendo que tem pessoas que preferem fazer uma dieta mediterrânea. Eu entendo que tem pessoas que tem pena dos bichos e preferem fazer uma dieta vegetariana. Eu não estou dizendo que low carb é a única alternativa saudável que existe. Agora, eu não aceito… Me irrita… E a gente fica sim irritado… E a gente vai falar com este tom que nós estamos falando aqui quando alguém pega e tenta dizer para pessoas que poderiam se beneficiar da alternativa low carb que isso que elas vão fazer faz mal. Então, as pessoas começaram a low carb, estão perdendo peso, estão ganhando saúde e, de repente, a pessoa lê aquilo ali… Ou um familiar lê isso aqui e encaminha para essa pessoa e a pessoa desiste de algo que estava dando certo… De algo que podia salvar sua vida por preconceito. Porque pessoas que não estudam, que ouviram falar com o nível de evidência comadre… Assim, existe a pirâmide da evidência. Nós temos lá em cima o ensaio clínico randomizado, depois nós temos a coorte prospectiva, aí nós temos os estudos transversais, os estudos de caso controle, a série de caso, relato de caso e no fim vem comadre.

Rodrigo Polesso: É a opinião.

Dr. Souto: Comadre é assim… Eu abri a porta… A comadre que mora do lado abriu a porta dela e ela dá a opinião dela. Assim… Esse é o nível de evidência do que está escrito aqui no Estadão. Essas coisas aqui é nível de evidência comadre. Não é assim, pessoal. Quer falar um negócio, cita um ensaio clínico randomizado. Nós falamos os estudos. Eu falei para vocês. Bota lá: “Solto Dieta Composição Corporal”. Vocês vão entrar lá e os ensaios clínicos randomizados estão lá. Esquecemos de botar algum? Perguntem lá. Perguntem no Tribo Forte que a gente coloca o artigo científico original para você ir lá e ler. Agora, não dá. Não é concurso de quem cospe mais longe. Sabe como é? Gurizinho, 10 anos de idade… “Vamos ver quem é que cospe mais longe.” Aqui a gente decide na área científica a coisa por outro critério. É assim… Qual é o nível de evidência? Qual é o estudo? O estudo é robusto? Tem grupo controle? É randomizado? É assim que a gente faz.

Rodrigo Polesso: Exatamente. Então, shame on you. Vergonha, vergonha, vergonha. Irresponsabilidade. Se eu fosse ela, eu tirava do ar isso dai urgentemente. Mas eu sei lá se isso vai acontecer. Olha só. Antes da gente falar o que a gente comeu na última refeição, rapidamente aqui, um outro exemplo rápido de irresponsabilidade jornalística que ganhou a mídia. Não sei porque diabos. Obrigado ao Cláudio Holanda que me mandou esse artigo para dar uma mencionada aqui. Acho que vale mencionar. A gente está falando de irresponsabilidade e má ciência. Um novo estudo publicado no jornal Circulation que analisou dados de um estudo da década de 80 que coletou questionários alimentares de homens fez uma análise comparativa mais de 20 anos depois levando em consideração quantas dessas pessoas morreram de problemas cardíacos. Ou seja 334 delas morreram de problemas cardíacos e eles foram analisar. A conclusão do estudo foi que em homens de idade média uma ingestão maior de proteína foi marginalmente associada com o aumento do risco de problemas cardíacos. Traduzindo em palavras simples, o estudo foi inútil. Além de ser um estudo epidemiológico, baseado em questionários, o que é nível de evidência baixíssimo, como a gente acabou de ver, perto de comadre… Ele ainda diz que os resultados foram associações fracas, com resultados marginais entre os fatores. Mas isso não impede a mídia de sair pulverizando o medo, como por exemplo no jornal The Telegraph no Reino Unido que colocou a manchete: “Dieta Atkins pode causar falha cardíaca, conclui novo grande estudo sobre proteínas.” Olha só, pessoal. E aí, Dr. Souto… Tem erro ou não tem?

Dr. Souto: Hoje eu vi um twit. Um twit de um dos autores desse estudo. Então, veja bem. O estudo é uma porcaria e inútil. Mas o próprio autor do estudo disse que ele tinha vergonha dessa manchete que você acabou de ler. Porque ele disse que Atkins sabidamente é uma dieta de baixo carboidrato e alta gordura. Ou seja, o que ele estava dizendo é: ele até acreditava no estudo dele, afinal, o estudo é dele. Mas ele achava que o problema era proteína e, portanto, ele não via nenhum problema com a dieta Atkins. Vocês entendem quantas camadas de erro tem? Como o Rodrigo já disse desde o início desse podcast atual, como quem nos escuta já sabe e como até as pedras (desde que estudem nutrição) já sabem, as dietas naturais, aquelas em que não existe de propósito um aspecto hiperproteico, as dietas em que as pessoas simplesmente comem de acordo com o apetite são normoproteicas. Então uma dieta Atkins não é hiperproteica. Uma dieta Atkins é normoproteica. Não acredita em mim? Então ao contrário dessa porcaria que saiu no Estadão, eu vou dar referência bibliográfica e você vai lá e olha a tabela. Referência bibliográfica é o Direct Trial publicado em 2008, no New England Journal of Medicine. Comparação de Atkins, mediterrânea e low fat. Olhem lá a tabela, eu não vou lembrar de cabeça qual é o número da tabela, mas vai lá no estudo e olha, aproveita e lê o estudo todo. E lá na tabela que dá a distribuição dos macronutrientes vocês vão ver que a quantidade de proteínas da dieta Atkins é a mesma quantidade de proteína da dieta low fat, inclusive. Então a primeira coisa é: se esse estudo valesse alguma coisa, isso não tem nenhuma implicação para uma alimentação forte ou para uma dieta low carb. Por quê? Porque não são hiperproteicas.

Rodrigo Polesso: Exato! Mesmo se fosse correto.

Dr. Souto: Mesmo se fosse correto. E o segundo é: é um estudo observacional de questionário retrospectivo. Isso vale basicamente nada. Especialmente quando a associação é fraca.

Rodrigo Polesso: Exato!

Dr. Souto: Pessoal da área biomédica, lembrando… Existem os critérios de Bradford Hill, que são os critérios para tentar achar se existe alguma forma de fazer uma ilação causal a partir de estudos observacionais. Há uma série de critérios. Esse estudo aí não preenche praticamente nenhum deles. E um deles é que a associação tem que ser forte. Ou seja, o risco relativo, o Odds Ratio, o Hazard Ratio, enfim, o risco tem que ser no mínimo 2. Tem que pelo menos dobrar, tem que ser pelo menos o dobro do risco na pessoa exposta ao fator em questão versus a pessoa não exposta. Então esses riscos relativos de 1,10… de 1,05… de 1,15, isso e nada é a mesma coisa. A chance de achar isso por fatores de confusão em um estudo observacional por questionário é tão grande, mas tão grande que realmente produz em mim atualmente uma vergonha alheia que literatura peer review publique esse tipo de estudo.

Rodrigo Polesso: Exatamente!

Dr. Souto: Então vamos dizer… ele é um estudo sem valor que achou uma associação fraca e é uma associação com uma circunstância (que é o “excesso de proteína”) que sequer existe em uma dieta low carb. Ou seja, por que mesmo nós estamos falando isso? Ah, sim! Porque a droga da imprensa sempre que vê qualquer coisa que fala mal de low carb publica com fanfarra. Porque low carb sofre bullying. E como nós aqui somos contra o bullying, nós vamos gritar toda semana. E como a imprensa não se… eles têm uma incontinência anti low carb. Tem a incontinência urinária, quando a pessoa não consegue segurar o xixi. E tem a incontinência anti low carb, quando o jornalista não consegue deixar de botar a maior asneira que ele vê, desde que ele chegue à conclusão que isso vai contra Atkins, ou vai contra low carb. E essa incontinência gera o que todas as incontinências geram: fralda suja. Que é basicamente o que os pixels (coitados) são obrigados a representar nas nossas telinhas.

Rodrigo Polesso: Então vamos fechando esse podcast dizendo o que você degustou na sua janta de hoje.

Dr. Souto: Na janta eu comi um guisadinho que tinha na geladeira e eu requentei. Um guisadinho que tinha um pouquinho de carboidrato porque tinha cenouras. E no almoço, como eu já falei, foi um peixe. Fui em um restaurante muito bom. O peixe tinha um toque meio tailandês com leite de coco. Estava um negócio espetacular. E tinha também cogumelo recheado com gorgonzola. Se pegar todo o carboidrato que eu comi em todo esse dia, incluídas as cenourinhas, dá muito, mas muito menos que 130 gramas de carboidrato. Então ou eu estou virando um polvo e perdendo toda a minha massa magra. E quem for na Tribo Forte dá uma olhada para ver se eu consigo ficar de pé ou se eu vou estar em uma cadeira de rodas, ou é um avatar meu que está falando, porque meu cérebro não é capaz de articular todas essas palavras. Ou talvez, as pessoas que escrevem essas coisas digam que nós estamos falando essas “bobagens todas” porque ingerimos pouco carboidrato. Pode ser, não é?

Rodrigo Polesso: Eu não vou deixar você sozinho e vou continuar também catabolizando as minhas proteínas, perdendo massa muscular e definhando também. Porque ontem a noite eu comi um salmão (quem diria)… um salmão e um pedaço de porco no mesmo prato. Meu Deus do céu! E meus únicos carboidratos foram alguns pistaches que eu comi depois. Então é por isso que meu cérebro está tão fraco agora e meus músculos estão virando gelatina.

Dr. Souto: É, por isso que você está engordando, não é, Rodrigo? Porque o corpo começa a guardar, a segurar a gordura. Por que, afinal, a gordura é feita para quê? Para ser segurada. Porque a nossa grande fonte de energia deve ser o músculo. É tanta bobagem! Pelo amor de Deus! Como é possível?

Rodrigo Polesso: É impressionante!

Dr. Souto: Acho que se pegasse um babuíno e colocasse na frente de uma máquina de escrever ia sair coisa com mais coerência.

Rodrigo Polesso: Eu acredito que sim. Eu apostaria no babuíno com certeza! É muita vergonha alheia. Vergonha, vergonha, vergonha! Então, pessoal, para a gente fechar. Quer seguir a gente no Instagram para ver o quanto a gente sofre? É só entrar lá @jcsouto o do dr. Souto e o meu é @rodrigopolesso. E se você quer ir no Tribo Forte ao vivo 2018 a venda dos ingressos está fechada no momento, mas você pode deixar o seu e-mail para ser avisado quando abrir de novo. É só você entrar em TriboForte.com.br e clicar lá em Evento ao vivo, que você pode deixar seu e-mail para receber a notícia quando estiver aberto novamente. Vai ser espetacular e você vai poder ver em primeira mão todos os moluscos falando no palco!

Dr. Souto: Não deixem de ver. Provavelmente nós estaremos usando exoesqueletos para conseguir ficar em pé. Porque imagina: tanto tempo queimando só musculo e armazenando gordura.

Rodrigo Polesso: Que vergonha! Que vergonha!

Dr. Souto: Mas deixem lá os seus e-mails, quando abrir comprem e apareçam lá para nos ver ao vivo e constatar o mal que essa dieta faz.

Rodrigo Polesso: Exatamente! É isso aí, pessoal! Uma vergonha! Quem puder espalhar, espalhe esse negócio. Porque as pessoas precisam saber. Principalmente a autora desse negócio precisa saber que foi uma péssima atitude e que acabou influenciando negativamente um monte de pessoas com mentiras e prevenindo possíveis melhoras de vida em muita gente. Um grande abraço para vocês, pessoal! Obrigado, dr. Souto! A gente se vê no próximo episódio.

Dr. Souto: Um abração! Até a próxima!

2018-06-05T08:06:43+00:00junho 5th, 2018|Podcast|0 Comments

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